Saúde

Os Stents são Realmente Eficientes?

A angioplastia é um procedimento cirúrgico frequentemente recomendado após o bloqueio arterial ter sido encontrado no músculo cardíaco. Com isso, dependendo da gravidade do bloqueio, se usa stents.

Porém, na presença de angina pectoris, mesmo sem bloqueio arterial significativo, tem se indicado a colocação de stents…

O objetivo nesses casos é aliviar o desconforto ou para evitar risco cardíaco futuro.

Pesquisadores descobriram que este procedimento pode melhorar o fluxo sanguíneo através da artéria bloqueada, mas não melhorou os sintomas ou a tolerância ao exercício nos participantes de um estudo.

Mesmo que os pacientes do estudo que não apresentassem benefícios físicos, alguns expressaram alívio psicológico quando o bloqueio foi reparado…

Colocação de stents pode não ser melhor que placebo

Em uma pesquisa recente, publicada no The Lancet, pesquisadores do Imperial College London recrutaram 200 participantes com um bloqueio grave de artéria coronariana.

Parte do grupo recebeu um stent para angina e outra parte uma intervenção com placebo.

O primeiro grupo foi submetido à intervenção percutânea, durante a qual foi realizada a angioplastia coronariana e colocação de um stent.

O segundo grupo também foi submetido a um procedimento de intervenção percutânea com um angiograma, mas sem angioplastia com balão ou colocação de stent.

Durante as seis semanas seguintes, nem os pacientes nem os médicos sabiam quais paciente haviam recebido o stent. No final deste período, os pacientes novamente foram submetidos a um teste de esforço (como no início) e foram questionados sobre seus sintomas.

Ambos os grupos experimentaram melhorias quase idênticas na tolerância ao exercício e nenhuma diferença na melhora relatada de seus sintomas.

Com isso,o principal autor do estudo, e cardiologista intervencionista Dr. Rasha Al-Lamee, comentou seus resultados:

“Surpreendentemente, embora os stents tenham melhorado o suprimento de sangue, eles não forneceram mais alívio dos sintomas em comparação com os tratamentos medicamentosos, pelo menos neste grupo de pacientes. Parece que a ligação entre a abertura de uma artéria coronária estreita e a melhora dos sintomas não é tão simples como todos esperavam”.

Esse estudo foi apresentado no simpósio Transcatheter Cardiovascular Therapeutics, em Denver. Na oportunidade, o Dr. Kirk Garratt, presidente da Sociedade de Angiografia e Intervenções Cardiovasculares (SCAI) questionou as conclusões, acreditando que a intervenção percutânea cirúrgica é o tratamento preferido. E que não estavam submetendo pacientes estáveis ​​sem sintomas a essa terapia.

Estudo recente apoia achados anteriores

Segundo as novas diretrizes médicas, de tudo o que se fez no passado em relação à colocação de stents, hoje cerca de 50% poderiam ser entendidos desnecessários.

Dr. Manoj Agarwal, Cardiologista sênior do Apollo Health City, Hyderabad, Índia, comentou sobre o uso excessivo de stents, dizendo:

“Se você usa um stent quando o bloqueio não é significativo ou se está em uma artéria não crítica, isso é abuso e antiético. Mas não há monitoramento na Índia. O ônus do monitoramento deve ser nas instituições ou hospitais onde os procedimentos são feitos.

Para muitos pacientes, submeter-se a um procedimento invasivo pode colocar suas mentes em repouso devido à ignorância em torno do benefício dos stents, quando de fato uma grande maioria preocupante está passando por um procedimento que não trará absolutamente nenhum benefício ao seu prognóstico a longo prazo”.

O Dr. Edward Hannan, Ph.D., da Universidade de Albany SUNY, avaliou se realmente os médicos aderiram às recomendações da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC), que       recomenda a angioplastia e a colocação potencial de stent se você estiver sentindo desconforto ou dor consistente no peito, ou se o bloqueio colocá-lo em risco imediato de ataque cardíaco ou morte.

Dos dados coletados de 58 hospitais no Estado de Nova York, descobriram que apenas 36% preenchiam os critérios adequados para se submeter ao procedimento.

O Dr. Catalin Toma, diretor de cardiologia intervencionista do UPMC Heart & Vascular Institute, comentou os resultados do estudo:

“Dizer a alguém que ele tem um bloqueio de 90% em uma artéria é um conceito que induz à ansiedade. E os medicamentos tratam os sintomas, mas não o bloqueio em si. Um paciente pode ter dificuldade em lidar com isso. Se a artéria está bloqueada, eles podem pensar que precisam ser desbloqueados”.

Com isso ele espera que médicos e os pacientes reduzam a “reação instintiva” de que qualquer bloqueio deva exigir automaticamente a colocação de um stent. Certamente, há pacientes que não suportam essa pressão e cobram isso dos médicos.

É tão importante o emocional das pessoas, que segundo o Dr. John Mandrola, eletrofisiologista cardíaco em Louisville, Kentucky, ele e muitos outros médicos observaram pacientes relatando menos dor no peito, mais energia e maior resistência após uma angioplastia e stent.

O paciente elabora o pensamento de que os bloqueios são fatais e devem ser corrigidos. Assim, se um médico realiza uma angioplastia e mostra as imagens de artérias desbloqueadas ao paciente e à família, todo mundo fica feliz e o paciente se sente melhor.

Já a Dra. Rita Redberg, professora de medicina da Universidade da Califórnia, San Francisco, acrescentou:

“Tenho dito há muitos anos que não sabemos se os pacientes se sentem melhor com os stents, ou se sentem melhor porque os pacientes sempre se sentem melhor quando fazemos um procedimento invasivo. É assim que a mente funciona. ”

Então, fica o alerta. Em alguns casos, esse procedimento é realmente necessário. Mas, algumas vezes, pode não ser tão eficiente quanto você imagina. Converse com seu médico sobre o assunto!

Referências bibliográficas:

  • Reuters, May 23, 2012
  • The BMJ. 2017;359:j5076
  • Pittsburgh Post-Gazette, Nov 6, 2017
  • Journal of Invasive Cardiology, Nov 2, 2017
  • The Times of India, Jun 25, 2014
  • American College of Cardiology, Nov 2, 2017
  • The Atlantic, Nov 8, 2017

 

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