Será que Jogar Videogame faz Bem para a Memória?

Já faz algumas décadas que o videogame se tornou presente no dia a dia de crianças e adolescentes.

É algo que se intensificou ainda mais de uns tempos pra cá, com os avanços tecnológicos.

Agora, além dos consoles, os jogos estão nos smartphones, tablets e outros dispositivos…

Eles inclusive deixaram de ser só coisa de criança, e há hoje ligas de e-sports, ou seja, campeonatos profissionais de jogos.

Até mesmo universidades americanas, que tradicionalmente oferecem bolsas de estudo para atletas, já fazem o mesmo com os “e-atletas”! (Confira aqui um post onde tratei do assunto e possíveis riscos à saúde).

Mas hoje, o assunto é a saúde mental…

Jogar videogame tem efeitos na memória?

Recentemente, um estudo da Catalunha avaliou os efeitos que podem ocorrer no cérebro de pessoas que jogavam videogame quando eram crianças.

Eles analisaram 27 voluntários entre 18 e 40 anos. Alguns deles haviam jogado videogame, enquanto os outros não tinham experiência com jogos eletrônicos.

Além de terem seus dados de saúde e hábitos de jogo reunidos, essas pessoas passaram por algumas sessões jogando games de plataforma em 3D.

Durante um mês eles foram acompanhados e tiveram sua memória de trabalho medida em 3 momentos:

  1. Antes de começarem a jogar para a pesquisa;
  2. No final da pesquisa;
  3. 15 dias após o término do estudo.

A conclusão foi de que as pessoas que já tinham experiências com videogames tinham uma memória melhor do que as outras.

Aqueles que tinham o hábito de jogar antes da adolescência tiveram resultados melhores nos testes em que precisavam reter e manipular mentalmente informações.

Os inexperientes em jogos eram mais lentos, mas melhoraram por terem treinado durante o estudo.

Para os pesquisadores, isso deixa claro que não apenas o hábito ajudou a ter uma memória melhor, mas também que esses benefícios continuaram anos depois naqueles que pararam de jogar.

Então, as crianças devem jogar videogame à vontade?

Calma, muita calma! Como tudo, é preciso ter moderação.

Mais do que nunca, os pais estão preocupados se seus filhos não estariam “viciados” em videogame.

É evidente que crianças que jogam demais podem enfrentar problemas, seja na escola ou até mesmo no sono, pois o excesso de exposição à luz azul das telas tem causado esse prejuízo com frequência (saiba mais clicando aqui).

Mas antes de se desesperar e achar que seu filho está viciado, é preciso entender um pouco mais sobre o assunto.

O que pesquisas anteriores mostram é que o jogo excessivo só deve ser considerado um vício quando vem acompanhado de dificuldade de parar de jogar e interrupção da vida normal do indivíduo por causa do hábito.

Estudo publicado na Developmental Psychology demonstrou que somente 10% dos jogadores apresentam esse tipo de distúrbio.

Os outros, embora possam apresentam algum dos sintomas citados, perdem o hábito com o tempo.

De qualquer forma, mães, pais e responsáveis devem zelar pelos hábitos saudáveis das crianças.

Os videogames podem até trazer alguns benefícios cognitivos, como vimos hoje no caso da memória, mas tudo depende da “dose”. Fique atento!

Supersaúde!

Referências bibliográficas:

  • Os Atletas dos Vídeo Games dão Pistas sobre o que pode Acontecer com Vocêwww.DrRondo.com
  • O Vicio em Videogames Realmente Existe?www.DrRondo.com
  • Marc Palaus, Raquel Viejo-Sobera, Diego Redolar-Ripoll, Elena M. Marrón. Cognitive Enhancement via Neuromodulation and Video Games: Synergistic Effects? Frontiers in Human Neuroscience, 2020; 14 DOI: 10.3389/fnhum.2020.00235.
  • Universitat Oberta de Catalunya (UOC). “Playing video games as a child can improve working memory years later, researchers find: The study included 10 sessions of transcranial magnetic stimulation, a type of non-invasive brain stimulation.” ScienceDaily. ScienceDaily, 22 September 2020.
  • Sarah M. Coyne, Laura A. Stockdale, Wayne Warburton, Douglas A. Gentile, Chongming Yang, Brett M. Merrill. Pathological video game symptoms from adolescence to emerging adulthood: A 6-year longitudinal study of trajectories, predictors, and outcomes.. Developmental Psychology, 2020; DOI: 10.1037/dev0000939.

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