Alimentação

Quiabo pode Controlar a Diabetes, mas não Cura

Não se empolgue ainda, pois estes estudos foram feitos em animais. O quiabo (Hibiscus esculentos) tem origem africana e chegou ao Brasil com os escravos, firmando-se na Bahia por intermédio de seu uso no caruru, um prato típico. Atualmente é produzido também em São Paulo e Minas Gerais.

Recentemente, alguns sites postaram que é uma “cura para o diabetes”. Qual é a ciência do quiabo? Como isso pode ajudá-lo?

Foi testado com sucesso em roedores, mas não em humanos.

Pesquisando sobre o assunto, há artigos de Bangladesh, Índia, Paquistão, Taiwan e Japão.

Vejam o que comentam:

Nesses três estudos na sequência, vemos evidências de que o quiabo pode ajudar a função da insulina ou até mesmo substituí-la Ele também retarda a glicose de entrar no sangue, como age a medicação Acarbose (nome comercial Glicobay)

– A revista Planta Medica publicou um estudo de 2005 realizado em Taiwan, que testou quiabo em ratos com diabetes. Os pesquisadores purificaram uma substância química chamada miricetina do quiabo. Eles deram aos ratos a solução endovenosa. A miricetina aumentou muito a capacidade dos músculos dos ratos de absorver glicose, o que, por sua vez, reduziu os níveis de açúcar no sangue.

– Um outro estudo de Bangladesh, publicado na revista online ISRN Pharmaceutics (Egito), mostrou que o quiabo purificado administrado aos ratos por via oral através de um tubo de alimentação reduziu a velocidade de absorção da glicose no trato disgestivo, com isso reduzindo drasticamente os níveis de glicose após a refeição.

– O Journal of Pharmacy & Bioallied Sciences, publicou um estudo indiano, em 2011, aonde pesquisadores alimentaram ratos diabéticos com sementes de quiabo em pó e extratos de casca. Após 28 dias de consumo dos extratos, os ratos mostraram uma redução significativa nos níveis de açúcar no sangue. E também seus níveis de triglicérides (lipídios) voltaram ao normal.

Mas o problema, como foi mencionado no início, é que as pesquisas foram feitas em animais na Ásia…

Há muitos comentários de médicos e leitores de que “não há pesquisa” ou “nenhuma evidência clínica” que o quiabo ajude. Portanto, esses comentaristas acreditavam que ninguém deveria tentar.

Até o momento, não há estudos em humanos com o uso de quiabo. Portanto, não posso indicar o seu uso dessa forma, mas a sua utilização, sem abandonar o tratamento médico, não traz prejuízos. Ao contrário, o quiabo ingerido na sua alimentação traz muitos benefícios pela sua composição, como você pode ver.

O quiabo contém:

  • Glutationa – O principal antioxidante endógeno e com grandes propriedades antienvelhecimento e anticarcinogênicas
  • Potássio – Além de conduz impulsos elétricos, o potássio ajuda a normalizar as contrações musculares, o ritmo cardíaco, a pressão sanguínea, a digestão, o equilíbrio do pH e muito mais.
  • Folato – É uma das várias vitaminas do complexo B, que produz glóbulos vermelhos e repara o seu DNA. Em gestantes está envolvida na prevenção de defeitos congênitos.
  • Cálcio – Mineral que é armazenado nos ossos, dependendo de vitamina D e vitamina K para uma correta assimilação
  • Vitamina K – Vitamina lipossolúvel que desempenha funções críticas na proteção do coração, na construção dos ossos, na otimização dos níveis de insulina e na coagulação do sangue. Previne doenças cardíacas, osteoporose, diabetes e vários tipos de câncer e até doença de Alzheimer.
  • Vitamina C – Poderoso antioxidante que diminui tanto a duração quanto a severidade de um resfriado além de ser necessário para produção de colágeno. Sua deficiência enfraquece seu sistema imunológico.

Benefícios:

  • Ajuda a reduzir o estresse oxidativo
  • Reduz a resistência à insulina,
  • Melhora os níveis de açúcar no sangue.
  • Ação antiestresse, adaptogênico
  • Melhora a cognição cerebral
  • Ajuda na digestão dos alimentos
  • Reduz o desejo de fome

Você pode cozinhar com quiabo, comê-lo cru, ou mergulhá-lo na água e depois bebê-la.

A “moda” do quiabo como remédio

O modo de uso do quiabo na água é muito comentado hoje, mas isso não significa que eu estou lhe indicando para fazer. Simplesmente quero que conheça essa curiosidade. Diabetes Self-Management oferece esta receita para fazer água de quiabo:

“Pegue duas ou quatro pequenas vagens, corte as pontas, perfure ou fatie as laterais e mergulhe-as durante a noite em 200 ml de água. Em seguida, pegue as vagens e esprema a gosma em uma nova xícara e adicione água a ela. De acordo com isso, pode ser tomado no jejum, logo pela manhã.

Se você tentar isso, trate-o como um remédio. Tome todos os dias durante pelo menos quatro semanas. Não pule. Eu li comentários de pessoas que reduziram seus A1C em até cinco pontos com água de quiabo uma vez ao dia. Mantenha registros de seus açúcares e mostre-os ao seu médico”.

Mas repito, não abandone o seu tratamento e sempre converse com o seu médico a fim de tirar as dúvidas que você possa ter.

Problemas com o quiabo

O quiabo parece potencializar o efeito da metformina, da mesma forma que bloqueia a glicose.  No caso de estar tomando metformina, consulte seu médico antes de tentar o vegetal.

Apesar de não haver nada publicado em relação a causar hipoglicemia (baixo teor de açúcar), isso não significa que não possa acontecer. Tenha cuidado se você estiver tomando insulina ou um medicamento sulfonilureia.

Teoricamente o quiabo poderia fazer parte de um plano de gerenciamento de diabetes, não uma cura. Consulte sempre o seu médico, especialmente quando se trata de reduzir seus medicamentos.

Referências bibliográficas:

  • Nat Prod Commun. 2013 Aug;8(8):1085-8
  • Scientific World Journal.  October 21, 2014; 2014: 519848
  • Asian Pac J Trop Med. 2015 Dec;8(12):1038-1042
  • Diabetes Self-Management.  July 15, 2015
  • USDA National Nutrient Database.  April 2018
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