Saúde

Quando Realmente se Precisa de Stents

A angioplastia tem como objetivo reparar ou desbloquear a artéria obstruída. Durante o procedimento, o cirurgião insere um balão expansível fino que é inflado para achatar o bloqueio contra a parede arterial. Na sequência, com a retirada do balão, o cirurgião frequentemente coloca  stents com a intenção de manter a artéria pérvia e o sangue fluir livremente.

Há cinco tipos de stents coronarianos disponíveis, cada um com diferentes vantagens e desvantagens para a colocação. São opções adequadas quando o stent é realmente necessário.

Além disso, há ao menos 4 grandes parâmetros que são cruciais para avaliar a eficácia desse tratamento para doenças cardíacas:

  • o paciente realmente viverá mais tempo como resultado dessa intervenção?
  • a mortalidade é um parâmetro de avaliação?
  • há risco de ataque cardíaco como resultado da intervenção?
  • alívio da angina (dor no peito) já é uma indicação?

Porém, as pesquisas mostram que aqueles com doença arterial coronariana estável, angina estável, não requerem stents.

Pesquisas anteriores têm mostrado que o uso de stents não tem impacto nas taxas de mortalidade a longo prazo, infartos não-fatais do miocárdio (IM) ou taxas de hospitalização por síndrome coronariana aguda.

A única indicação para o uso dos stents foi angina, pois alguns dos resultados mostraram que isso ajudou a reduzir a prevalência de dor torácica.

A outra indicação adequada é para ajudar pessoas que estão tendo um infarto agudo do miocárdio.

Nunca foi mostrado que o stent pode ajudar as pessoas a viverem mais tempo ou para evitar mais ataques cardíacos.

Os stents aliviam a angina?

Na verdade, nunca houve um estudo duplo-cego avaliando se, de fato, a colocação do stent alivia a angina. Simplesmente acredita-se que seria benéfico, pois é considerado antiético esse tipo de avaliação em seres humanos.

Porém, um grupo de cardiologistas intervencionistas na Inglaterra obteve a aprovação do conselho de revisão para realizar um estudo comparativo em que metade dos pacientes com angina estável recebeu um stent, enquanto a outra metade recebeu cirurgia simulada.

A cirurgia simulada consistiu em inserir e remover um cateter na artéria sem realmente colocar um stent. O nível de dor torácica e tolerância ao exercício foi então avaliado e comparado entre os dois grupos.

E para surpresa, não houve diferença na dor no peito (angina) entre o grupo de tratamento e o grupo controle.

Portanto, a colocação de stent é invalida para aliviar a angina.

Baseado nas diretrizes médicas atuais, não se submete pacientes estáveis sem sintomas a uma intervenção percutânea, realizando angioplastia coronariana e colocação de stent.

A recomendação é angioplastia e colocação potencial de stents se o paciente estiver sentindo desconforto e dor consistente no peito, ou se o bloqueio colocá-lo em risco imediato de ataque cardíaco ou morte.

Com isso, acredita-se que mais de 50% dessas colocações de stent podem ter sido feitos desnecessariamente, segundo o Dr. Kirk Garratt, presidente da Sociedade de Angiografia e Intervenções Cardiovasculares.

E, segundo Dr. Manoj Agarwal, Cardiologista sênior em Apollo Health City, Hyderabad, Índia, que comentou sobre o uso excessivo de stents, dizendo:

Se você usa um stent quando o bloqueio não é significativo ou se está em uma artéria não crítica, isso é abuso e antiético. Mas não há monitoramento na Índia. O ônus do monitoramento deve ser nas instituições ou hospitais onde os procedimentos são feitos.

Para muitos pacientes, submeter-se a um procedimento invasivo pode colocar suas mentes em repouso devido à ignorância em torno do benefício dos stents, quando de fato uma grande maioria preocupante está passando por um procedimento que não trará absolutamente nenhum benefício ao seu prognóstico a longo prazo ”.

Uma análise de dados de 58 hospitais no Estado de Nova York, realizada por uma equipe liderada por Edward Hannan, Ph.D., da Universidade de Albany SUNY, estava interessado em quão bem os médicos aderiram às recomendações da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC):

  • Eles descobriram que apenas 36% preenchiam os critérios para se submeter ao procedimento.

Assim, enquanto o estudo apresentado questiona a eficácia da maioria das angioplastias e inserções de stents, muitos hospitais também estão realizando esses procedimentos em números desnecessariamente grandes.

O procedimento é perigoso e caro para um benefício apenas psicológico. Antes de se submeter a ele, converse com seu médico. Tenha atenção à sua saúde e ao que realmente importa para prevenir os problemas!

Referências bibliográficas:

 

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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)

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