Alimentação

Paradoxo Vegetal: Cuidado com as Proteínas das Plantas!

Todos nós sabemos que quanto mais vegetais se consome, melhor é para a saúde. Mas você já parou para pensar que talvez as plantas se defendam para não serem ingeridas?

Se analisarmos tanto as plantas quanto os seres humanos, veremos uma premissa básica de manutenção das espécies, transferindo o seu DNA para as próximas gerações para continuação da linhagem.

No caso das plantas, há uma característica de proteção importante. Elas procuram criar uma autoimunidade por meio de vários mecanismos curiosos.

Então, será que as plantas, que supostamente são benéficas para nós, podem algumas vezes serem prejudiciais?

Proteínas vegetais nocivas ao homem

Veja os efeitos desfavoráveis da presença de certas proteínas vegetais:  

Lectina: são proteínas que se ligam a carboidratos e que estão em grande parte do reino vegetal. São reconhecidas como os maiores antinutrientes dos alimentos. As lectinas dos grãos e dos cereais são, por exemplo, o germe de trigo aglutinina, que podem interferir na atividade de absorção e digestão, além de alterar o equilíbrio da flora bacteriana, causando problemas com o metabolismo normal do trato digestivo.

No caso dos humanos, esse potencial é bem alto. As plantas produzem lectina para repelir seus inimigos naturais, como os fungos e insetos. Porém, as lectinas não são só inimigas desses, elas afligem também os humanos! Há diversos tipos de lectinas (como as do trigo) que se ligam a receptores específicos na nossa mucosa intestinal, comprometendo a absorção de nutrientes através da parede do intestino para chegar à corrente sanguínea. Dessa forma elas agem como antinutrientes.

A lectina estimula inflamação, causa hiper-resposta imunológica e piora a viscosidade do sangue, condições que predispõem doença. A lectina do trigo é a grande responsável pelos efeitos nocivos difusos, mas o trigo não é o único grão com quantidades significativas de lectina. Todas as sementes da família das gramíneas (arroz, trigo, espelta, centeio, etc.) são ricas em lectina.      

No caso da lectina do trigo, ela pode comprometer a sua saúde em diversos mecanismos:

  • Sistema imunológico: as lectinas podem se ligar ativando glóbulos brancos.
  • Sistema neurológico: pode comprometer a camada protetora dos nervos (bainha de mielina), caso ultrapassem a barreira hematoencefálica. Pode comprometer fatores de crescimento do nervo, o que é importante no crescimento, manutenção e sobrevivência de certos neurônios.
  • Sistema cardiovascular: induz agregação plaquetária, além de ter potencial para comprometer a remoção de neutrófilos dos vasos sanguíneos.
  • Sistema celular: induz apoptoses, a morte celular programada.
  • Pró-inflamatório: estimula a síntese de mensageiros químicos pró-inflamatórios, mesmo em pequenas concentrações.
  • Além disso, comprometem o sistema endócrino.

Aglutinina. Encontrada no germe de trigo e em outras sementes que se ligam a receptores específicos nas células da mucosa intestinal e interferem na absorção de nutrientes através da parede intestinal.

Com isso, estimulam a síndrome do intestino poroso, permitindo aumento de reações alérgicas, inflamatórias e potencializadoras de doenças imunológicas.

Plantas e inibidores do crescimento

Ácido Fítico: potente inibidor enzimático que bloqueia a ação da tripsina e outras enzimas necessárias para a digestão de proteínas. Esses inibidores não são desativados durante o cozimento, causando grave desconforto gástrico, redução da digestão proteica, deficiência na absorção de aminoácidos e alteração patológica no pâncreas, incluindo o câncer.

Um grão riquíssimo em ácido fítico, por exemplo, é a soja. O ácido está presente no farelo ou cascas de todas as sementes. É uma substância que pode bloquear a absorção de minerais, como cálcio, magnésio, cobre, ferro e zinco no trato digestivo. Há um consenso geral entre os cientistas, pela extensão de estudos científicos, sobre o efeito do ácido fítico no comprometimento da absorção de minerais. Entre os grãos e legumes, a soja é a que tem a maior concentração de fitatos.

Glúten: a palavra glúten vem do latin “glue”, que significa cola. O nome se justifica, já que o glúten apresenta propriedades adesivas. Ele está presente em grãos como o trigo, centeio e cevada.

Essas propriedades “adesivas” interferem com a degradação e absorção dos nutrientes, incluindo nutrientes de outros alimentos, na mesma refeição. Esses componentes glutinosos não digeridos podem ativar o seu sistema imunológico a atacar a mucosa do seu intestino delgado, causando diarreia ou constipação, náusea e/ou dores abdominais.

As reações, quando severas, são classificadas como “Doença Celíaca” e as reações leves como “intolerância ao glúten”. Com o tempo, o intestino delgado se torna extremamente lesado e com capacidade reduzida de absorver nutrientes, como o ferro e o cálcio. Isso leva à anemia, osteoporose e outros problemas de saúde. E para piorar, o trigo moderno e outros grãos diferem enormemente do trigo dos nossos ancestrais, pois a proporção de proteína do glúten no trigo atual aumentou muito como resultado da hibridação.

Espero que você tenha entendido por que nem todo vegetal faz bem à saúde. Muitas vezes, as pessoas acham que os grãos são a salvação, quando na verdade ocorre justamente o contrário… Agora que você já sabe, fique de olho!

“Os grãos são as sementes de uma planta. Elas são o seu material reprodutivo, e não é produzido para dar gratuitamente para outros animais. Se elas fizessem isso, se tornariam extintas, e assim a estratégia evolutiva que muitas plantas, particularmente grãos de cereais, tomaram para evitar a predação é gerar compostos tóxicos para que o predador das sementes não possa comê-las, e com isso colocar suas sementes no solo, onde elas estão destinadas a estar para cultivar uma nova planta, e não no intestino de um animal para alimentá-lo”.

E mais, os grãos estão correlacionados com:

  1. Presença de antinutrientes: o que compromete a assimilação de diversos elementos importantes pelo bloqueio da sua capacidade de absorção, causando um verdadeiro aumento de desvio nutricional em vez de corrigir e/ou fornecer nutrientes.
  2. Promove o aparecimento de Síndrome do Intestino Poroso, gerando sintomas digestivos, como distensão abdominal, gases e cólicas abdominais, o que contribui para fadiga, dores articulares, alergias, distúrbios psicológicos, autismo, lesões de pele, etc… É um ciclo vicioso, pois se você está com o sistema digestivo lesado, isso permite a passagem de micropartículas de alimentos, bactérias e fungos pelas porosidades intestinais dilatadas e inflamadas, causando mais agressões e enfraquecimento a sua condição não só digestiva, mas de forma geral.
    A solução inicial no caso é eliminar os alimentos agressores, recuperar a boa ecologia intestinal, com alimentos fermentados e probióticos.
  3. O consumo de plantas erradas, que transferem micro RNA, uma peça pequena de RNA que interage com os seus genes, inibindo a expressão de certos genes, altera processos biológicos programados, como apoptose, causando maior risco de câncer e outras doenças. Com isso, consumindo-se plantas erradas, haverá implicações desastrosas na sua saúde.

Portanto, para otimizar a sua saúde, você precisa consumir os alimentos certos. Assim, você prospera. E consumindo os alimentos errados, você sofre! Lembre-se: o que é bom para você é individual, não depende de religião e política. Mas saiba, certos alimentos são problemáticos para a maioria das pessoas, e a maioria dos grãos estão no top desta lista! Cuidado com eles!

Então, resumindo: todos esses “antinutrientes” podem ter um efeito prejudicial no microbioma intestinal, alterando o equilíbrio da flora bacteriana, desencadeando não só inflamação e alergia, mas todas as doenças autoimunes, com a diferença que cada um as manifesta do seu jeito. Fique atento!

Referências bibliográficas:

  • Gastroenterology, 2002;122:1784-1792.
  • Gastroenterology, June 2002;122(7):1784-1792.
  • Contrib Nephrol, 1995;3:155-161.
  • B M J, April 17, 1999;318:1023-1024.
  • Br J Nutr, 2000;83:207-217.
  • Highlights in Food Allergy, 1996;32:211-215.
  • International Journal of Dermatology, December 1990;29(10):679-692.
  • Nutritional Toxicology, Raven Press, LTD, New York 1994 Chapter 6:117-137.
  • Nutrition and Rheumatic Diseases/Rheumatic Disease Clinics of North America, May 1991;17(2):273-285.
  • Am J Trop Med Hyg, 2001;65(6):705-710
  • Am J Clin Nutr, 2004;79:418-423.
  • American Journal of Clinical Nutrition, 1995;62:984-987.
  • www.drrondo.com/antinutrientes-o-lado-obscuro-dos-graos/
  • www.drrondo.com/cuidado-lentilhas-graos-nao-fazem-bem/ 
< Artigo AnteriorPróximo Artigo >

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *