O poderoso ativador mitocondrial: Azul de Metileno

O azul de metileno (ou cloreto de metiltioninio) não é uma vitamina ou mineral, mas sim a primeira droga química sintetizada pela medicina moderna, desenvolvida em 1876.

Desde então, tem se descoberto surpreendentes benefícios, realmente importantes para a nossa saúde, especialmente para os dias atuais.

Em 1890, o cientista Paul Ehrich, do famoso Charité Hospital in Berlim, na Alemanha, descobriu que o azul de metileno enfraquecia o parasita da malária.

Na verdade, trata-se de uma molécula da família da hidroxicloroquina, usada no tratamento da malária, mas também foi bem pesquisada na época da pandemia, como possível arma terapêutica.

Foi usada inicialmente para colorir jeans e limpeza de aquários de peixes.

Atualmente na pratica médica, encontra-se em todo o hospital do mundo, sendo usada como antidoto de envenenamento metabólico (qualquer veneno que interfere com o transporte de oxigênio na hemoglobina sanguínea e mitocôndrial).

Por exemplo, nos casos de intoxicação por monóxido de carbono, se usa o azul de metileno injetável. No envenenamento por cianeto, o único antidoto é exatamente essa mesma medicação.

Além disso é usado também como demarcador de campo cirúrgico, antisséptico, vasopressor e antipsicótico.

Um dos primeiros medicamentos antipsicotico na história, foi feito à base de azul de metileno, seguido do uso em antibióticos e antissépticos urinários.

Trata-se de uma droga hormética, ou seja, dosagens baixas tem efeito oposto de dosagens altas.

Exemplo:

No uso para tratar a meta-hemoglobinemia, as dosagens em pronto socorro são no limite de 3 mg/kg de peso/dia.

Se usarem dosagens muito altas, acaba produzindo a meta-hemoglobinemia.

Ou seja, em pequenas doses, é aonde se consegue o melhor efeito terapêutico antioxidante, enquanto que altas doses, torna-se pró oxidante.

Benefícios do azul de metileno

Neuprotetor e melhora da cognição

Segundo o pesquisador e expert em azul de metileno, Francisco Gonzalez-Lima, PhD, mostra que a medicação ajuda a respiração mitocondrial e melhora o metabolismo energético cerebral. Com isso, aumenta a performance cognitiva e previne neurodegeneração.

Ele alega:

    “Com o azul de metileno, conseguimos mostrar todos esses [benefícios]”, diz Gonzalez-Lima. “Nosso grupo foi o primeiro a mapear os efeitos do azul de metileno no cérebro de humanos e mostrar seus efeitos na melhoria do metabolismo cerebral, fluxo sanguíneo e função da memória”.

Gerador de energia e antioxidante

Sua ação é de forma única, a nível de elétrons. Permite a correta respiração mitocondrial, melhor aproveitamento do oxigênio e produção de energia.

Ele explica para os tecnicamente inclinados:

    “Nosso corpo usa elétrons como parte da cadeia de transporte de elétrons que acontece dentro das mitocôndrias, e esses elétrons, movidos pelas mitocôndrias, são gerados a partir de doadores de elétrons que produzimos pelos alimentos que ingerimos.

    Todos os alimentos que comemos, a única maneira de contribuir para a energia é produzindo doadores de elétrons. Eles doam esses elétrons para o transporte de elétrons dentro das mitocôndrias. O último aceptor de elétrons na natureza é o oxigênio. É por isso que o processo de remoção de elétrons de um composto é chamado de oxidação.

    Nas mitocôndrias, esse processo é chamado de fosforilação oxidativa. O transporte de elétrons é acoplado à fosforilação da adenosina para eventualmente produzir a molécula de adenosina trifosfato (ATP). O azul de metileno é um ciclador de elétrons. É um composto autooxidante.

    Assim, o azul de metileno doa seus elétrons diretamente para a cadeia de transporte de elétrons, obtém elétrons dos compostos circundantes e mantém o consumo de oxigênio e a produção de energia. Ao fazer isso, ajuda o oxigênio a ser totalmente reduzido em água.

    Então, torna-se duas coisas que muitas vezes não são encontradas juntas. Atua como antioxidante, pois o oxigênio é neutralizado em água doando elétrons para o transporte de elétrons, e produz energia, pois quando as bombas de transporte de elétrons estão se movendo ao longo da fosforilação oxidativa, você tem um aumento na formação de ATP.

    Muitas vezes, temos coisas que melhoram o metabolismo energético, mas elas levam ao estresse oxidativo. No caso do azul de metileno, esse não é o caso.

    Você pode aumentar as taxas de consumo de oxigênio, aumentar a produção de ATP para o metabolismo energético e, ao mesmo tempo, reduzir o estresse oxidativo que, é claro, levará à redução do dano oxidativo no nível das mitocôndrias, depois no nível das outras partes das células e, eventualmente, membranas celulares, e reações em cascata desse dano oxidativo”.

Melhora a saúde cerebral e ocular

É preventivo e terapêutico para demência, doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, além de injurias neuronais, causadas por derrame ou trauma cerebral. 

Sua ação nos olhos, ocorre principalmente na retina.

Age aumentando o número de mitocôndrias cerebrais, sendo portanto, um verdadeiro nootropico.

Conforme explica Gonzalez-Lima:

    “Qualquer processo em que o aumento da produção de energia baseada em oxigênio desempenha um papel importante, o azul de metileno terá um papel a desempenhar. Um dos primeiros estudos que fizemos que foi muito impressionante [foi] um modelo no olho. A razão pela qual usamos o olho foi porque a retina em animais é facilmente acessível para que possamos injetar na retina.

    A rotenona [um pesticida de amplo espectro e inibidor do Complexo 1] inibe a respiração mitocondrial, posteriormente há atrofia e degeneração da camada retiniana, o que é muito dramático. Se o azul de metileno estiver a bordo, podemos evitar esse processo porque a respiração mitocondrial pode continuar, de modo que o tecido não é afetado.

    Este foi um modelo chamado neuropatia óptica devido a defeitos mitocondriais. É a forma mais comum de cegueira em pessoas mais jovens, então fizemos isso para verificar in vivo que o [azul de metileno] poderia ter esse efeito neuroprotetor. Então fizemos isso em outras coisas como cérebros. Encontramos um fenômeno semelhante …

    O azul de metileno pode ser protetor em acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e hemorrágicos. Também publicamos um estudo com hipóxia. Em outras palavras, reduzimos a quantidade de oxigênio fornecida aos animais e pudemos usar uma fMRI, de forma não invasiva, nos animais para ver que conseguimos aumentar a quantidade de taxa metabólica cerebral para consumo de oxigênio na presença de azul de metileno em condições hipóxicas.

    Com relação à demência, no momento em que você vê a proteína tau dentro dos neurônios, esses neurônios estão metabolicamente, essencialmente mortos, então é tarde demais. Ao agir sobre isso, você não pode recuperar a maquinaria metabólica e a saúde dos neurônios.

    Portanto, esses neurônios não são resgatados de nenhuma maneira que seja funcionalmente significativa. De um modo geral, os biomarcadores não são bons alvos terapêuticos porque podem ou não ter qualquer relação causal com a doença.”

Infecções no trato urinário

Altamente eficiente, com ação antisséptica. Em muitos casos pode se evitar o uso de antibióticos, que acaba comprometendo a ecologia intestinal.

Como não é metabolizado, quando excretado pelos rins, age como um potente antioxidante, destruindo qualquer patógeno na bexiga.

Contraindicações

– Não é recomendado usar em casos de pacientes com problemas renais graves ou naqueles com deficiência na enzima G6PD (glicose 6 – fosfato desidrogenase), necessária para metabolização e ação do azul de metileno.

– É um inibidor de monoaminoxidase (IMAO)

– Associar azul de metileno em altas doses para pacientes usando medicação antidepressiva, como inibidor seletivo da receptação de serotonina (SSRI), pode potencializar a Síndrome Serotoninergico.

Gonzalez-Lima comenta:

    “Com relação ao alerta sobre os SSRIs, o problema não é o azul de metileno, mas a quantidade de SSRI. O problema estava em uma aplicação específica de azul de metileno onde eles o usam para cirurgia de paratireoide como corante…

    Que eu saiba, nunca houve mais de cinco casos, onde os pacientes foram anestesiados, e eles ainda tinham SSRIs [em seu sistema], e eles fizeram repetidas lavagens no pescoço aberto com azul de metileno, que excedeu as doses que temos falando sobre.

    O FDA dos EUA reagiu com este aviso. Mas isso foi revisado por cirurgiões e farmacologistas da Clínica Mayo, e eles escreveram um artigo de refutação onde indicam que não há evidências que sugiram que o azul de metileno oral tenha alguma interação com a dosagem terapêutica de compostos serotoninérgicos, especialmente SSRIs, e que isso foi algo que aconteceu nessas condições [cirúrgicas] específicas.

    O Canadá limita o aviso a essa aplicação específica, mas nosso FDA foi além disso para qualquer tipo de droga serotoninérgica. Acho que não há absolutamente nenhuma evidência de que o azul de metileno oral tenha interações nessa faixa de dose baixa com quaisquer SSRIs.

    E quando eles falam sobre a função do inibidor da MAO, ela realmente só funciona como um inibidor da MAO na concentração mais alta da faixa de dose mais alta, não na faixa de dose baixa. Assim, os efeitos do azul de metileno como antidepressivo – apenas de forma muito limitada, se você repetir tratamentos cumulativos – podem ser devidos a qualquer tipo de papel inibidor da MAO.

    Além disso, é devido à sua função de aumento metabólico, por isso antagoniza alguns dos sintomas da depressão, como a baixa energia que é experimentada com a depressão. Então, sim, é eficaz para reduzir os sintomas de depressão. Infelizmente, esse aviso deixará alguns médicos com medo de usá-lo em combinação com SSRIs”.

– Não é recomendado durante a gestação ou lactação.

– Contraindicado para neonatos abaixo de 4 anos.

Advertência e precauções

O uso dessa medicação endovenosa, na forma injetável, só é indicada em hospitais, pronto socorros, com acompanhamento médico, jamais poderá ser usado na forma subcutânea ou intratecal, por causar necrose tecidual, caso haja extravasamento para o tecido subcutâneo.

Dosagens

Lembrando que trata-se de uma medicação hormetica, aonde baixas doses tem o efeito oposto das altas doses.

Segundo a literatura, a dosagem via oral deve ser de 0,5 mg / Kg peso a 4 mg / Kg. Aconselha-se usar 0,5 mg a 1 mg / dia, que funciona bem.

As dosagens altas de 3 a mg / kg é a nível hospitalar, em situações como o antídoto endovenoso para meta-hemoglobinemia.

Como efeito nootropico para a saúde cerebral, prevenções e tratamento de demência e infecções urinárias, o Dr. Gonzalez-Lima, aconselha 0,5 a 1,0 mg/kg/peso/dia.

E lembre-se, para uso medicinal, só usar o produto de graduação farmacêutica, que é 99% puro.

 

Referências bibliográficas:

 

– Learning & Memory. 2004; v. 11, n.5. p. 633-640

– Medical Research Reviews. 2011; v. 31, n. 1, p. 93-117

– Plos One. 2012; v. 7, n. 10, p. e46585

 – Progress in Neurobilogy. 2012; v. 96, n. 1, p. 32-45

– Biochemical Pharmacology. 2014; v. 88, n. 4, p. 584-593 

– The Lancet, December 21/28, 1991;338:1590

– American Family Physician, 1992;46(1):183-188.

– American Journal of Obstetrics and Gynecology, 1991;164:1344-50

– Hypertension, March 2001;37:949-954

 

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