O País do Gado de Carbono: o Superalimento

Recentemente, escrevi sobre a explosiva valorização da carne vermelha de animais criados à pasto que ocorreu na América.

Pela grande preocupação sobre o surgimento de novas doenças que podem ser transmitidas de animais para seres humanos, o consumidor está cada vez mais atento, e se afastando de produtos oriundos de confinamentos.

Houve um aumentode 400% a 1.200% na demanda por esse tipo de produto, que é gerado respeitando as leis da natureza – e não trabalhando contra ela.

Primeiramente, é mais saudável e não é estressante à saúde animal.

Além disso, fornece um alimento mais nutritivo ao ser humano, sem pesticidas químicos, fertilizantes e outras “armadilhas” da agricultura industrial.

Para completar, beneficia o planeta, pois constrói um solo rico em carbono que aumenta a qualidade das colheitas e a produção animal.

Pode ser melhor?

Venho falando disso há mais de 10 anos, quando publiquei o livro Sinal Verde para a Carne Vermelha.

E agora, esse é o tema de uma nova série de documentários que detalham essa técnica.

Dirigida por Peter Byck, professor da Universidade Estadual do Arizona, a produção mostra que essa medida aparentemente está salvando o suprimento de carnes.         

Trata-se do que ele chama de “Carbon Cowboys”, que realizam o trabalho da criação do gado a pasto através do pastoreio rotacional regenerativo.

É algo cada vez mais valorizado!

Outro fator importante é que no sistema “Carbon Cowboys” a possibilidade de espalhar vírus é bem menor, ao contrário dos grandes projetos americanos de mega processamento das carnes, aonde o índice de contaminação se mostrou altíssimo, havendo necessidade de serem fechadas para minimizar as consequências.

Lembre-se que 96% da criação de gado na América é através de confinamentos, e felizmente no nosso caso 94% do rebanho é criado a pasto.

Porque o “gado de carbono” é um superalimento

Saiba que a carne vermelha pode ser um dos melhores alimentos na sua dieta ou uma das piores.

Tudo depende do que esse animal está comendo…

Na natureza, o gado se alimenta basicamente de capim das pastagens, flores, arbustos e outra vegetações selvagens.

Isso se traduz em algo ideal para a saúde do gado a longo prazo, além de ser altamente anti-inflamatório para consumo humano, evitando doenças degenerativas e envelhecimento precoce.

Neste caso, mantém saudável a proporção de ômegas 6 e 3 em torno de 4:1 ou 2:1, o que é o correto para todos os mamíferos.

Já os animais criados em confinamentos se alimentam com grãos, algo geneticamente inapropriado para a fisiologia deles, levando a ganho de peso excessivo e acúmulo de gordura às custas do excesso de ácidos graxos ômega 6 (às custas de milho e soja), chegando a uma proporção de 25:1 (ômegas 6:3).

Isso é geneticamente inaceitável para todas as espécies de mamíferos que deveriam estar naturalmente em torno de 4:1, como comentei.       

O resultado é um desastre alimentar, por gerar inflamação silenciosa e degeneração celular.

Mais vantagens de carne bovina a pasto

Além da importância da relação ômega 6:3, aonde se consegue proporções ideais para a saúde e com efeito altamente anti-inflamatório, temos outras vantagens da carne bovina a pasto:

  • Apresenta altos níveis de ácido linoleico conjugado (CLA), um dos nutrientes anticancerígenos mais potentes. Publicação na Cancer Research mostra que os animais que receberam apenas 1,5% de suas calorias totais na forma de CLA apresentaram redução no crescimento do tumor em 60%.
  • De acordo com pesquisadores finlandeses, quanto maior a quantidade de CLA na dieta de uma mulher, menor o risco de câncer de mama, chegando a apresentar em média cerca de 60% menos possibilidades.
  • Contém muito mais aminoácidos de cadeia ramificada, especialmente a leucina, fundamental para a construção muscular.
  • É mais ricaem carnitina, que estimula as mitocôndrias celulares a gerar mais energia a partir do metabolismo das gorduras.
  • Apresenta alta concentração de carnosina, um poderoso antioxidante que melhora a função muscular, cerebral e cardiovascular. Além disso, reduz os efeitos do estresse e do envelhecimento. 
  • Três a seis vezes mais vitamina E (a vitamina E diminui o estrogênio, o assassino da ereção) e vitamina D (potente protetor contra câncer e ativador imunológico).
  • Tem até quatro vezes mais betacaroteno, promovendo a saúde dos olhos.
  • Mais vitaminas do complexo B, fatores fundamentais na geração de energia. No caso da vitamina B12, esta desempenha importante papel na prevenção do declínio cognitivo e demências como a doença de Alzheimer.                      
  • O folato auxilia a produção de neurotransmissores reguladores do humor, incluindo a serotonina e a dopamina, reduzindo risco de depressão.
  • Coenzima Q10, que melhora função cardíaca, saúde mitocondrial e reduz pressão arterial, (um fator que compromete a virilidade pela necessidade de medicações anti-hipertensivas).
  • Zinco. É um mineral essencial, ativador imunológico, que desempenha um papel importante no crescimento e desenvolvimento, estando relacionado com quase toda função estrutural do nosso corpo. A função neurológica e reprodutiva, são particularmente dependentes de zinco. Ele promove melhora na composição e quantidade de espermatozoides, aumentando a fertilidade. Além disso, desempenha um papel fundamental na regulação do modo como o cálcio se move nas células do coração, regulando a contratilidade do músculo cardíaco.
  • Mais proteína magra. Isso promove aumento da testosterona, que é o que alimenta o seu “jogo” em todas as áreas da sua vida (incluindo a sua performance sob os lençóis).
  • Creatina.  Promove aumento de massa muscular, resistência e performance na atividade física, além de apresentar efeitos antioxidantes e antienvelhecedores.

Com isso, usando a similaridade do documentário do professor Peter Byck, o “Carbon Cowboys”, posso afirmar que somos “Pecuaristas de Carbono”, criando o “Gado de Carbono” respondendo por um “Brasil Carbono”.

Pense nisso na hora de consumir a sua carne. Supersaúde!

Referências bibliográficas:

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