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Iodo: Um Guia Detalhado dos Seus Benefícios Potenciais

Iodo é um elemento químico que teve um aumento meteórico de popularidade tanto entre as pessoas como na comunidade médica há 100 anos atrás.

E mesmo apesar da sua importância para os vertebrados, em especial os humanos, ele caiu na obscuridade cientifica, apesar de extensivos estudos sobre sua deficiência nos livros de endocrinologia.

Recentemente, pelos seus benefícios em potencial, sua suplementação tornou-se uma febre!

O problema é que o uso de iodo sem ser por deficiência e feito sem orientação médica pode fazer mais mal que bem…

O que é o iodo?

Grande parte do suprimento de iodo é encontrada no oceano, onde se concentra na vida marinha, especialmente nas algas marinhas.

Além disso, está presente em certos alimentos, embora também esteja disponível na forma de suplemento (iodeto de potássio ou iodeto de sódio).

Na forma de iodeto, é transformado em duas formas radioativas: iodo-123 ou I-123 e iodo-131 ou I-131, que são usados para tratar doenças da tireoide.

O iodo-123 é inofensivo para as células da tireoide, enquanto que o iodo-131 as destrói.

Quando em quantidades insuficientes, haverá mal funcionamento da tireoide, fazendo com que a mesma tem que trabalhar mais para compensar essa deficiência

Atualmente sua deficiência é um problema crescente, especialmente pelo excesso de consumo de alimentação industrializada ou em restaurantes.

Muitos confundem iodo com sal de mesa, só que na verdade o sal de mesa nada mais é do que cloreto de sódio.

Acreditam que pelo fato de estarem usando esses alimentos ricos em sal, estariam consumindo-o o suficiente para atender às necessidades diárias do corpo.

Para saber isso, o ideal é que as pessoas passem por um teste de iodo que irá verificar os níveis desse mineral no corpo e ver se eles são deficientes ou não.

E quem pode estar deficiente?

  1. O consumo de alimentos contendo Tiocianatos, quando em quantidades elevadas, podem interferir na absorção de iodo pela glândula tireoide. Com isso, pode parecer que uma pessoa tem deficiência do mineral, e na realidade isso não ocorre. Portanto, se você nessa situação consome mais iodo achando que tem uma deficiência, pode vir a apresentar um efeito colateral prejudicial. Como exemplo desses alimentos ricos em tiocianatos temos a mandioca, soja e vegetais da família Brassica.
  2. Veganos: pelo fato de não consumirem alimentos com maior quantidade de iodo, como peixes e laticínios, tendem a apresentar deficiência.
  3. Pessoas que vivem em regiões com solos deficientes desse mineral e que comem maior parte de sua alimentação com produtos locais. Estes solos tendem a produzir culturas com baixos níveis.
  4. Mulheres grávidas: apresentam uma necessidade cerca de 50% maior de iodo do que outras mulheres
  5. O consumo de grande quantidade de alimentos estrogênicos interferem na forma como o corpo usa iodo. Como exemplo temos vegetais de soja e crucíferos como repolho, brócolis, couve-flor e couve de Bruxelas.

Sinais e sintomas de deficiência de iodo

  • Edema das glândulas tireoide no pescoço, causado pela formação de um nódulo visível conhecido como bócio;
  • Redução de QI, dificuldade de aprendizado e deficiências mentais (especialmente em crianças);
  • Hipotireoidismo ou baixos níveis de tireoide que podem comprometer bebês, adolescentes e adultos;
  • Baixa capacidade de trabalhar e pensar com clareza entre os adultos;
  • Mixedema, uma complicação de hipotireoidismo raro, mas com risco de vida. Os sinais de alerta neste caso incluem:
  • Intolerância intensa a temperaturas frias;
  • Sonolência seguida de extrema fadiga e, por fim, coma: nestes casos, há necessidade de tratamento médico imediato.

Como diagnosticar a deficiência

Para saber se você tem níveis suficientes de iodo ou não, são necessários exames específicos que o seu médico pode recomendar, como:

  • Teste de urina: simples e rápido, mas não tão preciso
  • Exame de sangue: um exame prático, mais confiável
  • Teste de contato de iodo: coloca-se uma banda com iodo ou se pincela na pele. Depois de 24 horas, se faz a leitura e as pessoas que não tiverem deficiência perceberão que ele desaparece no transcorrer desse período. Não recomendo, pois não é tão preciso.
  • Teste de iodo em urina de 24h: não é rápido nem o mais conveniente, principalmente porque você precisa coletar todas as amostras de urina que tiver em um período de 24h.

Alimentos ricos em iodo

Para corrigir a deficiência ou ajudar a melhorar seus níveis, a melhor opção são os alimentos, como:

  • Vegetais marinhos, como alga marinha arame, hiziki, kombu e wakame, são considerados as maiores fontes alimentares de iodo.
  • Morangos, Cranberries frescos e orgânicos ou suco de cranberry: consuma fresco e orgânico moderadamente, porque eles contêm frutose.
  • Laticínios como iogurte, queijo e manteiga feito de leite de vacas criadas a pasto e orgânico.
  • Peixes de águas profundas.

Benefícios do iodo

  1. É essencial para a produção de hormônios da tireoide que ajudam a controlar o metabolismo do corpo e a regular funções importantes.
  2. Previne a deficiência de iodo e suas consequências.
  3. Melhora o desenvolvimento fetal e infantil: mulheres grávidas e lactantes precisam de quantidades suficientes do mineral para que seus bebês possam crescer e se desenvolver adequadamente. Pode ser encontrado no leite materno, mas isso depende de quanto iodo a mãe consome em sua dieta.
  4. Aumenta a função cognitiva durante a infância: níveis bons de iodo em crianças geram melhora as suas habilidades de raciocínio e a função cognitiva geral.
  5. Reduz o risco de câncer de tireoide induzido por radiação: o iodeto de potássio é aprovado pelo FDA como um agente protetor da tireoide que pode ajudar a diminuir o risco de câncer de tireoide por radiação em situações de emergências como em acidentes nucleares.
  6. Previne doenças oculares, diabetes, doenças cardíacas e derrame.
  7. Reduz doença fibrocística mamaria.
  8. Reduz fungos na pele causadores da esporotricose cutânea.
  9. Melhora a cicatrização de úlceras diabéticas.
  10. Elimina fungos, bactérias e outros microrganismos.
  11. Mata germes e previne a mucosite, frequente em quimioterapias, quando usado topicamente.

Qual é a dosagem ideal?

O ideal é que você converse com seu médico para determinar eventual necessidade de suplementação.

Com isso, você diminui o risco de overdose de iodo, que pode lhe causar riscos adversos.

A necessidade diária depende da sua idade, e o recomendado é:

  • Nascimento a 6 meses 110 mcg
  • Bebês (7 a 12 meses) 130 mcg
  • Crianças (1 a 8 anos) 90 mcg
  • Crianças (9 a 13 anos) 120 mcg
  • Adolescentes (14 a 18 anos) 150 mcg
  • Adultos 150 mcg
  • Grávidas 220 mcg
  • Mulheres amamentando 290 mcg

Efeitos alérgicos

Reações alérgicas: são raras, mas podem ser fatais. Nos indivíduos hipersensíveis, podem apresentar:

  • Dermatite de contato ou urticária;
  • Gosto metálico, queimação e dor nos dentes ou nas gengivas;
  • Inchaço da língua, na garganta e falta de ar;
  • Anafilaxia, ou uma reação alérgica súbita que pode causar urticária.

Reações adversas do excesso de iodo

O iodo, quando em nível elevado, pode desencadear aumento da glândula tireoide ou bócio, ou seja, manifestações iguais aos da deficiência.

O uso prolongado do iodo pode causar inflamação da glândula tireoide, e pode levar a um risco maior de cânceres de tiroide, como câncer papilar ou folicular da tireoide.

Além disso, a suplementação por longos períodos de tempo também pode levar ao hipotireoidismo, inibindo a função da tireoide.

Tireotoxicose: uma complicação com risco de vida pelos níveis elevados do mineral, com febre, confusão, taquicardia, arritmia e insuficiência cardíaca. Nestes casos, procurar atendimento médico imediato.

Náusea, Vômito e Diarréia (às vezes sanguinolenta).

Pulso fraco e coma.

Interação medicamentosa

Pode haver interação com os seguintes medicamentos:

  • Metimazol (Tapazol): medicação usada para tratar o hipertiroidismo. Suplementos de iodo podem interagir com medicamentos anti-tireoidianos e podem potencialmente induzir o corpo a produzir quantidades muito pequenas do hormônio da tireóide.
  • Inibidores de canal de cálcio: usado para pacientes hipertensos como benazepril (Lotensin), lisinopril (Prinivil e Zestril) e fosinopril (Monopril).
  • Diuréticos poupadores de potássio como espironolactona (Aldactone) e amilorida (Moduretic): caso você use suplementos de iodeto de potássio, poderá ter uma elevação excessiva de potássio no sangue, podendo gerar arritmia.

Como minimizar o sabor do iodo

Para minimizar o sabor amargo do mineral, você pode diluir o medicamento em suco ou leite.

Referências bibliográficas:

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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)

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