Nosso Estilo de Vida pode Aumentar o Risco de Covid-19?

O que vemos com relação aos vírus, tanto o novo coronavírus quanto outros, é que há uma diferença entre as pessoas que são expostas. Sabemos que, em especial nos casos dos grupos de risco, é mais provável que o quadro evolua para grave…

Porém, há aqueles que apresentam sintomas e ainda as pessoas com as quais nada acontece. Muitas vezes, elas nem sabem que foram expostas ao vírus – daí a importância de manter o distanciamento social mesmo entre aqueles aparentemente saudáveis.

Mas o que é que faz a diferença nesses casos? Uma pesquisa recente, divulgada pela Association for Psychological Science, avaliou 30 anos de estudos sobre vírus causadores de doenças respiratórias. O objetivo dos pesquisadores era entender como os fatores de estilo de vida, sociais e psicológicos afetam se adultos saudáveis ​​expostos a vírus respiratórios adoecem ou não.

O que se descobriu é que, quando o assunto são gripes e resfriados, as pessoas com maiores níveis de estresse social e psicológico apresentavam maior risco de desenvolver as doenças.

O que ocorre é que esses estressores, tanto sociais como psicológicos, estão ligados ao aumento da produção de citocinas, químicos pró-inflamatórios produzidos pelo corpo para combater os vírus. Quando essa produção é excessiva, há maior risco de se adoecer.

E como as últimas pesquisas mostram, a superprodução de citocinas está também associada aos casos mais graves de Covid-19. Por isso, pode-se supor que níveis altos de estresse podem piorar a situação, expondo as pessoas a casos de maior gravidade quando em contato com o novo coronavírus.

Estilo de vida e Covid-19

Além disso, os pesquisadores ressaltam que certos hábitos podem realmente aumentar o seu risco de adoecer. Isso é algo que vale não só para Covid-19, mas para outras doenças em geral.

Fumar, beber em excesso e deixar de praticar atividades físicas, por exemplo, são fatores de risco para doenças cardiovasculares e câncer, além de prejudicarem o seu quadro de saúde em geral. E se você não está com o organismo preparado e a imunidade em alta, pode enfrentar problemas ao entrar em contato com vírus e bactérias, sejam elas quais forem.

O Dr. Sheldon Cohen, professor de psicologia da Universidade Carnegie Mellon e um dos autores da pesquisa, alerta ainda para a interação social, que não deve ser deixada de lado mesmo em tempos de isolamento:

“Se você tem uma rede social diversificada (integração social), tende a se cuidar melhor (não fumar, beber moderadamente, dormir e se exercitar). Além disso, se as pessoas perceberem que aquelas da sua rede social as ajudarão durante um período de estresse ou adversidade (apoio social), isso atenua o efeito do estressor e causa menos impacto à sua saúde”.

Portanto, lembre-se de apoiar a família e os amigos, mesmo à distância. Recentemente, pesquisadores americanos demonstraram que é possível fazer isso apenas com as palavras certas. Quando consolamos alguém ou simplesmente somos bons ouvintes, nos transformamos em uma rede de apoio poderosa!

Clique aqui para conferir um pouco mais sobre essa pesquisa e ver algumas dicas para consolar as pessoas queridas nesses momentos estressantes. E para conferir uma lista de posts sobre Covid-19, basta clicar neste link.

É em épocas como esta que precisamos de união. Mesmo não estando fisicamente presentes, podemos fazer a diferença para quem anda estressado ou deprimido. Cuidar da saúde mental também é fundamental para se ter uma Supersaúde!

Referências bibliográficas:

  • Sheldon Cohen. Psychosocial Vulnerabilities to Upper Respiratory Infectious Illness: Implications for Susceptibility to Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Perspectives on Psychological Science, 2020; 174569162094251 DOI: 10.1177/1745691620942516
  • Association for Psychological Science. “Contracting COVID-19: lifestyle and social connections may play a role.” ScienceDaily. ScienceDaily, 9 July 2020.
  • Kellie St.Cyr Brisini, Denise Haunani Solomon, Xi Tian. How the Comforting Process Fails: Psychological Reactance to Support Messages. Journal of Communication, 2020; 70 (1): 13.
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