Alimentação

Desbancando mais um Mito sobre o Bacon

Se existe um alimento que as pessoas ainda têm receio, certamente é o bacon.

Mas será que isso é necessário?

Alguns acreditam que o bacon possa ser um mimo ocasional, pois por se tratar de um alimento gorduroso, poderá entupir suas artérias e matá-lo por causa dessa gordura saturada.

Então, está na hora de você rever seus conceitos…

Quanto às gorduras saturadas

Nos últimos anos, a própria comunidade científica já concorda que a gordura saturada não é ruim para você e pode fazer parte da dieta humana, assim como sempre foi no passado desde as nossas origens.

Está bem claro, atualmente, que as verdadeiras gorduras maléficas são as poli-insaturadas altamente processadas de óleos vegetais, como milho e soja. Portanto, são estes os verdadeiros vilões e que realmente você deveria se preocupar; mas não esqueça de incluir nisso muito açúcar e amido, que também causam inflamação arterial.

Precisamos entender que a gordura de porco realmente é saudável, pois é composta de apenas 40% saturada, 48% monoinsaturada e 12% poli-insaturada (que varia de acordo com o que os porcos comem).

Por outro lado, para você compreender que essa gordura saturada não faz mal, veja o óleo de coco, que é extremamente saudável e contém 92% de gordura saturada!

Mas há um ponto muito importante que precisa ser levado em consideração, pois nem todo porco é criado igual.

Como esses porcos foram criados e como foram alimentados?

Isso faz toda a diferença…

Qual é o bacon bom?

No caso dos porcos criados confinados, estes possivelmente nunca veem a luz do dia e são alimentados somente com ração à base de milho e soja transgênica. E quando sua carne é cozida, cria mais nitrosaminas do que no caso do animal criado a pasto.

Com isso, terão um perfil de gordura mais insalubre do que carne de porco de animais que pastoreiam ao ar livre, que obtém muita luz solar (o que aumenta a vitamina D da gordura de porco em até 10 vezes), e comem uma grande variedade de alimentos naturais.

Isso vale também para a banha de porco de animais criados a pasto, que apresentam um perfil de gordura mais saudável do que dos animais criados confinados.

Vale lembrar que a gordura do bacon de animais criados a pasto é composta por 48% de gordura monoinsaturada, a mesma gordura saudável para o coração que é valorizada no azeite e no abacate.

Além disso, segundo a Dra. Kaayla T. Daniel, PhD, no seu comentário na CCN:

“A gordura de porco também contém uma nova forma de fosfatidilcolina que possui atividade antioxidante superior à vitamina E. Esta pode ser uma razão pela qual a gordura de toucinho e bacon são relativamente estáveis ​​e não propensas à rancidez dos radicais livres. Esta é mais uma razão pela qual nossos avós foram realmente mais espertos do que acreditamos… Eles usaram gordura de bacon ou manteiga para cozinhar na maioria das vezes, em vez dos óleos vegetais inflamatórios de hoje”.

Quanto aos nitratos e nitritos do bacon

Esta é uma forte razão pela qual as pessoas acham que precisam evitar o bacon.

Segundo o Dr. Kresser, se você evitasse todas as fontes de nitritos e nitratos, não produziria saliva e teria a boca extremamente seca.   

Agora veja o que ele comenta:

“[…] os nitritos são produzidos pelo seu próprio corpo em quantidades maiores do que as obtidas com alimentos, e o nitrito salivar é responsável por 70-90% da nossa exposição total ao nitrito. Em outras palavras, sua saliva contém muito mais nitritos do que qualquer coisa você poderia comer”.

E para sua surpresa, os vegetais na verdade contêm muito mais nitritos naturais do que carnes processadas como bacon.        

Portanto, não fique achando que, por exemplo, ao consumir uma porção de vegetais você estará ingerido muito menos nitrito do que com um cachorro quente.

Desmistificando os nitratos e nitritos

Todos os nitratos dietéticos são propensos a se converterem a nitrosaminas carcinogênicas quando aquecidas, exatamente o que acontece no cozimento e processamento da carne.

No caso das plantas, os nitratos são convertidos em nitritos pelas bactérias orais durante a mastigação. Quando chegam ao estômago, entram em contato com o suco gástrico, podendo ser convertido em:

  • Óxido nítrico (benéfico) ou compostos N-nitrosos cancerígenos, como as nitrosaminas (maléficos).

Os antioxidantes (como a vitamina C e polifenóis) contidos nas plantas, ajudam a garantir que os nitritos sejam convertidos em óxido nítrico benéfico quando chegam ao estômago, e não em nitrosaminas prejudiciais.

Como exemplo de fonte vegetal, temos: rúcula, ruibarbo, alface manteiga, coentro, manjericão, beterraba e verduras em geral. Quando estes são consumidos cozidos ou fritos em alta temperatura, aí sim haverá alguma chance de produção de substâncias prejudiciais.

No caso dos nitratos encontrados em carnes processadas como bacon e cachorro quente, teoricamente eram vistos como carcinogênicos pela formação de nitrosaminas.

Mas a indústria de carnes processadas como bacon e cachorro quente já se adequou em termos de neutralizar esses efeitos como nos vegetais, adicionando antioxidantes para fazer esse mesmo efeito protetor que as plantas naturalmente já tem.

Ou seja, com a presença desses protetores oxidativos há uma garantia de que nas carnes os nitritos sejam convertidos em oxido nítrico benéfico quando chegam ao estômago, em vez de se transformarem em compostos N-nitrosos, que são nocivos, assim como nos vegetais.

Atualmente, a USDA exige o uso de eritorbatos e / ou ascorbatos de sódio no processamento de bacon, principalmente depois que achados consistentes de pesquisas indicaram que estas substâncias reduziam o nível de nitrosaminas substancialmente.

Apesar de tudo isso, ainda assim a carne processada (salsicha e embutidos) é classificada como um carcinógeno do Grupo 1.

Portanto, de acordo com isso, devem ser evitados e consumidos o mínimo possível.

E quanto a nitrosaminas?

Esta é a grande preocupação da transformação de nitritos e nitratos em nitrosaminas que são potencialmente cancerígenas.

E por isso os fabricantes usam vitamina C (ácido ascórbico) ao curar suas carnes.

Conclusão

Quando se fala de bacon, só nos preocupamos com nitritos e nitratos, mas há fatores mais importantes como se o animal foi criado confinado com rações à base de milho e soja transgênicas e a presença de frutose sintética na sua conservação.

Portanto, perca um pouco dessa culpa de consumir o bacon… E pense sempre na procedência do produto. Supersaúde!

Referências bibliográficas:

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  • www.drrondo.com/aumentar-oxido-nitrico/
  • www.drrondo.com/o-surpreendente-modo-de-aumentar-o-oxido-nitrico/
  • www.drrondo.com/ate-que-ponto-o-consumo-de-bacon-e-seguro/
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