Bem-Estar

Coração: uma Bomba ou um Órgão da Emoção?

Poeticamente, nós ouvimos provérbios como “eu te amo de todo o coração” e “meu coração se encheu de alegria”.

Há também as expressões de tristeza e decepção como o “coração partido” ou “coração frio”.

Mas, será que essa linguagem poética é consequência de algo biologicamente verdadeiro?

Segundo os antigos egípcios, o coração era visto como um órgão da verdade, expressando o sentimento de certo e errado.

Hoje se sabe que quando se mente, por exemplo, sua frequência cardíaca tende a acelerar.

Por outro lado, se você ouvir um cirurgião cardíaco, ele lhe dirá que o órgão é uma bomba baseada em funcionamento mecânico e bioelétrico, e nada mais.

Se o seu coração for substituído por um artificial, isso não afetará sua capacidade de amar. Apesar de tanta racionalidade, é muito forte a ideia de que ele é um órgão emocional.

Será que nossos sentimentos e emoções vêm do coração?

Segundo o trabalho do professor David Paterson, Ph.D da Universidade de Oxford, o coração e o cérebro estão intimamente ligados, ambos os órgãos contém neurônios, criando uma simbiose emocional.

Na verdade, as fontes de suas emoções estão em uma ação conjunta, em mão dupla entre coração e cérebro.

“Quando seu coração recebe sinais do cérebro através dos nervos simpáticos, ele bombeia mais rápido. E quando recebe sinais através dos nervos parassimpáticos, diminui a velocidade.”

Voltando a uma visão mais poética e filosófica do coração, este é uma bomba que responde quando o cérebro pede, mas não como escravo do cérebro.

A relação entre ambos é como um casamento, aonde um dependente do outro. Além disso, essa conexão cérebro-coração também funciona quando você tem sentimentos de compaixão e empatia com outras pessoas.

E o que ciência tem descoberto está de acordo com o senso antigo de que o órgão está relacionado às emoções.

Como as emoções influenciam a saúde do coração

Essas influências emocionais podem ter efeitos negativos, piorando o seu potencial de risco cardíaco, ou efeito positivo, com influências curativas.

Veja o que os estudos mostram:

Emoções negativas

  • A raiva intensa aumenta em 5 vezes o risco de ataque cardíaco e triplica o risco de derrame .
  • A perda de um ente querido aumenta o risco cardíaco em 21 vezes no dia seguinte do evento. Esse risco permanece até 6 vezes maior por algumas semanas.
  • Pessoas que passaram por experiências traumáticas têm taxas mais altas de problemas cardíacos, resistência à insulina e síndrome metabólica do que a população em geral.

Emoções positivas

  • Pessoas com risco aumentado de doença arterial coronariana que estão alegres, relaxadas e satisfeitas com a vida tiveram uma redução de 1/3 dos eventos coronarianos, como um ataque cardíaco.
  • Atitude psicológica positiva está associada a um risco reduzido de doença arterial coronariana.
  • Tanto homens como mulheres cheias de energia emocional têm maior proteção contra o risco de doença coronariana.
  • Pacientes com doença cardíaca que são pessoas alegres têm sobrevida maior do que pacientes cardíacos pessimistas.
  • O otimismo reduz risco de morrer por qualquer causa, assim como menores riscos de morrer de doenças cardíacas, em comparação com pessoas altamente pessimistas.

Por mais racional que seja a mente, o coração nos dá um presente que nos faz sentir pelo outros compaixão e amor. Então, seja positivo, pois os bons sentimentos só lhe trazem benefícios. Cuide-se!

Referências bibliográficas:

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