Coágulos Sanguíneos – Um Agravante do Covid-19

O entendimento, até então, era de que pacientes com doença grave de COVID-19 evoluíam quase na sua totalidade para a sepse. Mas o que os estudos mais recentes têm mostrado é que coágulos sanguíneos também estão associados ao mau prognóstico.

De acordo com um relato de casos, 71,4% dos pacientes que morreram de COVID-19 apresentaram coagulação intravascular disseminada (DIC), e só 0,6% dos pacientes sobreviveram a essa condição.

A coagulação intravascular disseminada (DIC) é um distúrbio de falência sistêmica da coagulação sanguínea, podendo levar à disfunção orgânica e morte.            

Com isso, tem se usado com sucesso a administração precoce de anticoagulantes, evitando com isso esta situação difícil de se contornar.

Segundo publicação da STAT News: 

    “Os médicos que tratam os pacientes mais doentes com COVID-19 se concentraram em um novo fenômeno: algumas pessoas desenvolveram coágulos sanguíneos generalizados, seus pulmões salpicados com pequenos bloqueios que impedem o oxigênio de bombear a corrente sanguínea e o corpo…

    Médicos dos EUA, Holanda e China publicaram vários relatos de casos em revistas científicas sobre pacientes com Covid-19 com uma infinidade de pequenos coágulos sanguíneos. Em um relatório, pesquisadores na China disseram que 7 em cada 10 pacientes que morreram de Covid-19 tinham pequenos coágulos sanguíneos em toda a corrente sanguínea, em comparação com menos de 1 em cada 100 pessoas que sobreviveram.

    Ainda não está claro por que o vírus leva à formação desses coágulos ou por que o corpo dos pacientes não os pode quebrar. Também não está claro qual o papel significativo que eles desempenham na doença de um paciente.”

Coágulos sanguíneos – uma característica recém-descoberta de COVID-19 grave

De acordo com a publicação no Journal Thrombosis Haemostasis, em 8 de abril de 2020, essa condição de coagulopatia afeta 71,4% dos pacientes que morrem em decorrência do COVID-19. Apenas 0,6% dos pacientes que apresentam critérios para coagulação intravascular disseminada (DIC) atendem a esses critérios. A publicação comenta ainda:

    Além disso, ficou claro que essa não é uma diátese hemorrágica, mas sim uma DIC predominantemente pró-trombótica com altas taxas de tromboembolismo venoso, níveis elevados de dímero-D, altos níveis de fibrinogênio em conjunto com baixos níveis de antitrombina e congestão pulmonar com microvascular, trombose e oclusão em patologia, além de acumular experiência com altas taxas de trombose da linha central e eventos oclusivos vasculares (por exemplo, membros isquêmicos, derrames, etc.)…

    Existem evidências em animais e humanos de que a terapia fibrinolítica na lesão pulmonar aguda e na Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) melhora a sobrevida, o que também aponta para a deposição de fibrina na microvasculatura pulmonar como causa contribuinte da SDRA. Seria algo esperado em pacientes com SDRA e diagnóstico concomitante DIC em seus valores laboratoriais, como o que é observado em mais de 70% daqueles que morrem de COVID-19.”

Coagulação anormal associada a mau prognóstico   

Segundo entrevista publicada no Washington Post, Lewis Kaplan, médico da Universidade da Pensilvânia e chefe da Sociedade de Medicina Intensiva, disse que, embora as complicações da coagulação sejam comuns em pacientes com câncer e trauma, “elas não coagulam assim”.

“O problema que estamos enfrentando é que, embora entendamos que há um coágulo, ainda não entendemos por que existe um coágulo”.   

No mesmo veículo, há também uma citação de Harlan Krumholz, especialista em cardiologia no Yale-New Haven Hospital Center, que afirmou:

    “Uma das teorias é que, uma vez que o corpo está envolvido em uma luta contra um invasor, começa a consumir os fatores de coagulação, que podem resultar em coágulos sanguíneos ou sangramento. No Ebola, o equilíbrio era mais para sangrar. No COVID-19, há mais coágulos sanguíneos”.

Há uma ligação bem clara entre coagulação intravascular disseminada (DIC) e sepse, como mostra o artigo do Journal of Thrombosis and Haemostasis, de fevereiro de 2020:    

    “A sepse está bem estabelecida como uma das causas mais comuns de DIC; desenvolvimento de resultados de DIC quando monócitos e células endoteliais são ativados ao ponto de liberação de citocinas após lesão, com expressão do fator tecidual e secreção do fator von Willebrand. ”

Ou seja, provavelmente os pacientes com COVID-19 e que apresentam coágulos sanguíneos devem ter sepse, que também precisa ser tratada adequadamente.  

Sepse: outro mau prognóstico

Esta é uma condição que com muita frequência pode ser negligenciada, mesmo por médicos, aonde os sintomas podem ser muito parecidos com os da gripe e do COVID-19.

Pode ocorrer febre alta com calafrios e tremores, pele fria e úmida, transpiração excessiva, tontura, dificuldade em respirar e dor muscular.

Uma luz importante nessa terapêutica com resultados bem animadores em adultos e crianças é o uso de altas doses de vitamina C, vitamina B1 e hidrocortisona. Mas converse com o seu médico sobre essa abordagem. Lembre-se que a sepse é uma condição que precisa de intervenção rápida dele.  

Profilaxia para coágulos sanguíneos

1. Ômega 3

O ácido graxo essencial, ômega 3, preferencialmente de origem animal, melhora o fluxo e a viscosidade sanguínea, aumentando a ação fibrinolítica.

2. Nattoquinase

É um produto derivado da fermentação da soja para produzir natto, através da bactéria Bacillus subtilis. Tem alta ação trombolítica, comparável à aspirina e sem os efeitos colaterais graves.Melhora a circulação e viscosidade sanguínea, pela redução do excesso de fibrina          

3. Serrapeptase ou Serratiopeptidase

É uma substância produzida no intestino dos bichos-da-seda recém-nascidos para libertar-se dos seus casulos. Melhora a viscosidade do sangue e tem ação fibrinolítica.        

4. Lumbroquinase

A lumbroquinase é uma enzima fibrinolítica extraída de minhocas, com ação antitrombótica altamente eficaz, além de reduzir a viscosidade do sangue e a agregação plaquetária. Sua ação é cerca de 300 vezes mais forte que a serrapeptase e quase 30 vezes mais forte que a nattoquinase.

Referências bibliográficas:

  • The Lancet.  March 11, 2020 
  • J Thromb Haermost Case Reports.  April 8, 2020 
  • The Washington Post.  April 22, 2020
  • Journal of the American College of Cardiology.  April 2020
  • Detroit Free Press.  April 22, 2020
  • STAT.  April 16, 2020
  • Journal of Thrombosis and Haemostasis.  February 19, 2020
  • NPR. March 23, 2017
  • Chest June. 2017; 151(6): 1229-1238
  • Dr. Malcolm Kendrick.  January 28, 2017
  • Chinese Journal of Neurology and Psychiatry. 1993; 4(26) 
  • Townsend Letter.  May 2018
  • Enzymatic Activity Comparison of Common Fibrinolytic Enzymes. 2011
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