Alimentação

Banha: 5 Letras que Resumem o Superalimento das Avós

Há algum tempo atrás, recebi um comentário no meu e-mail de uma leitora dos meus artigos que me chamou muito a atenção. Ela me contou que na época que morava no campo, a sua mãe cozinhava com banha de porco e que depois que passou a usar esses óleos modernos, ficava difícil lavar as louças, talheres e panelas de cozinha, pois estes retinham muita gordura.

Ao contrário, na época que usava banha de porco, era muito mais fácil a remoção das gorduras destes utensílios.

E ela me perguntou: assim como esses óleos modernos parecem grudar nos utensílios, isso ocorreria também às nossas artérias, com essa gordura aderindo a elas da mesma forma?

Realmente não tinha pensado nesses moldes, mas foi muito bem colocado…

Na minha infância, lembro muito bem quando chegava no final do domingo, na casa de minha avó, especialmente na cozinha, e me deparava com um aroma doce que acabava se espalhando por toda a casa.

Era uma torta, e nunca comi nada melhor.

Bem diferente de hoje, era saudável e deliciosa, pois era repleta de vitaminas A, D, E e DHA… Mas ela continha um outro ingrediente secreto que criava essa maravilha.

Eu estou me referindo à banha caseira.

Banha: 5 letras boas para sua saúde

Pois é, a boa e velha banha é uma das gorduras naturais mais saudáveis ​​que você pode obter, mas que atualmente está meio esquecida.

No pós Guerra Mundial (2ª Grande Guerra), a ciência mal interpretada ligou gorduras saturadas a doenças cardíacas. Grandes empresas alimentícias se moldaram no mito da gordura saturada para vender seus alimentos, como margarina e óleos vegetais parcialmente ou totalmente hidrogenados. Banha foi apelidada de gordura que causava “entupimento de artéria”.

Mas a verdade é que a gordura saturada é boa para o coração…

O famoso Nurse’s Health Study acompanhou mais de 80.000 enfermeiras por 20 anos e constatou que as gorduras saturadas NÃO tiveram impacto sobre o risco de doenças cardíacas.

Uma meta-análise de 21 estudos publicada no American Journal of Clinical Nutrition avaliou dados de mais de 350.000 pessoas em 23 anos. Também não encontrou evidências de que a gordura saturada aumentasse o risco de doença cardíaca ou acidente vascular cerebral.

Em outro estudo, pesquisadores de Londres analisaram a gordura encontrada em artérias obstruídas, e observou-se que apenas 26% delas estavam saturadas. Os outros 74% restantes eram insaturadas. Esse é o mesmo tipo de gordura que você encontra em ácidos graxos poliinsaturados “saudáveis ​​para o coração” encontrados em óleos vegetais.

Em outras palavras, os ácidos graxos poliinsaturados, e não a banha, são mais propensos a causar doenças cardíacas.

No Sydney Diet Heart Study, durante sete anos, pesquisadores australianos acompanharam 458 pacientes cardíacos. Metade dos pacientes foram instruídos a reduzir a gordura saturada em sua dieta para menos de 10% das calorias e aumentar os ácidos graxos poliinsaturados a 15% das calorias.

O resultado do estudo mostrou que as pessoas que consumiram mais ácidos graxos poliinsaturados e menos gordura saturada apresentaram taxas de mortalidade mais altas. Além disso, eles tiveram maiores taxas de mortalidade por doença cardiovascular e doença coronariana, e a taxa de mortalidade das chamadas gorduras “saudáveis” foi cerca de 70% maior.

A estimativa dos pesquisadores é que a substituição de 5% de suas calorias de gordura saturada por óleo vegetal “saudável para o coração” aumenta o risco cardiovascular em 35%. Além disso, aumenta o risco de morte por todas as causas em 29%.

Portanto, fica claro que óleos vegetais com ácidos graxos poliinsaturados não são estáveis, sendo degradados em gordura trans, com ação oxidativa, levando a danos pelos radicais livres e inflamações, que desencadeiam todas as doenças crônicas.

Por outro lado, as gorduras saturadas como a banha são muito estáveis e não se degradam ou oxidam, mesmo em altas temperaturas.

Outra característica importante na banha é que tem níveis muito baixos de ácidos graxos poliinsaturados. Seus componentes principais são gordura saturada 40% e ácidos graxos monoinsaturados 50%.

Esses ácidos graxos monoinsaturados são a mesma gordura saudável ​​que você encontra no azeite e no abacate, que ajudam a equilibrar o açúcar no sangue, reduzir a gordura e a inflamação, além de proteger o colesterol de se tornar oxidado.

E mais, a banha também é a segunda maior fonte de vitamina D depois do óleo de fígado de bacalhau, aonde apenas uma colher de sopa de banha lhe fornece 1.000 IUs de vitamina D.

Portanto, é aconselhável que você volte a cozinhar com as gorduras tradicionais como a banha que nossas avós usavam. Evite os óleos vegetais com ácidos graxos poliinsaturados, como milho, soja, canola, caroço de algodão e óleos de girassol.

Tenha muito cuidado aonde você compra essa banha, pois a maioria dela vem de animais confinados ou hidrogenadas em laboratório.

No caso da banha de porcos de animais criados soltos, pastoreando, ainda tem a vantagem de apresentarem níveis mais altos de vitamina D, uma vez que os porcos têm acesso ao sol.

Converse com o seu açougueiro que pode lhe indicar o produto certo e aproveite o sabor da casa da vovó!

Referências bibliográficas:

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