Dieta

Saiba quais são os 7 mitos mais comuns relacionados às dietas de alta proteína

Quero iniciar essa nossa conversa dizendo a você que eu tenho usado dietas de pouco carboidrato e muita proteína e gordura e que tenho alcançado efeitos muito bons, especialmente nas condições pioradas, tais como a diabete, fadiga crônica, fibromialgia e as doenças cardíacas, todas ligadas à ingestão de carboidratos.

Fiz questão de começar comentando isso com você, pois infelizmente, alguns peritos ainda acreditam que o consumo excessivo de proteínas, especialmente a animal, pode resultar em doenças cardíacas, derrames, osteoporose, câncer e pedra nos rins.

Além disso, eles pregam a ideia de que os produtos animais, especificamente as proteínas, bem como o colesterol e os ácidos graxos saturados são, de alguma forma, fatores causadores de aterosclerose, derrame entre outras doenças. Acontece que essa ideia, apesar de popular, não é sustentada por dados disponíveis no campo da bioquímica de lipídeos.

O que acontece na verdade é que a ingestão excessiva de carboidratos, e não a ingestão de proteínas animais, é que pode resultar nas doenças cardíacas e no câncer.

Veja outros mitos ligados às dietas de alta proteína e que precisam ser quebrados:

1) A ingestão de proteína animal causa a perda de cálcio dos ossos:

Esse é um mito nutricional popular que não tem fundamento algum na ciência. Os estudos que supostamente demonstraram que a proteína causava a perda de cálcio na urina não foram feitos com alimentos integrais de verdade, mas sim com aminoácidos isolados e com proteínas fracionadas em pó.

Quando os estudos foram de fato feitos com pessoas que comiam carne com gordura, nenhuma perda de cálcio foi detectada na urina, mesmo em um período prolongado. Outros estudos confirmaram que comer carne não afeta o equilíbrio do cálcio e que a proteína promove ossos mais fortes. Adicionalmente, as gorduras saturadas que muitos peritos acreditam que sejam tão nocivas são, na verdade, necessárias no depósito correto do cálcio nos ossos.

O ideal é que você entenda que a razão pela qual os aminoácidos e proteínas em pó livres de gordura terem causado a perda de cálcio enquanto o mesmo não ocorreu com a carne com gordura, está ligada ao fato de que tanto a proteína, quanto o cálcio e os sais minerais requererem as vitaminas A e D que são solúveis em gordura através da assimilação e utilização pelo corpo.

Quando a proteína é consumida sem estes fatores, ela perturba a bioquímica normal do corpo e isso resulta na perda de minerais. A verdadeira vitamina A e a vitamina D de complexo inteiro somente são encontradas nas gorduras dos animais.

Novos estudos mostram que as mulheres que comeram bastante carne tiveram menos fraturas de quadril do que aquelas que evitaram o consumo.

2) A ingestão de proteína leva a pedras nos rins:

Este é um outro mito popular que não tem base nos fatos. Embora as dietas que restringem a proteína são de ajuda para as pessoas que têm doenças renais, comer carne não causa problemas nos rins. Além disso, as vitaminas solúveis em gordura e os ácidos graxos saturados encontrados nos alimentos animais são de fundamental importância para que os rins funcionem corretamente.

Na verdade, a carne fornece proteínas e vitamina D completas que são necessárias para manter o equilíbrio ácido-básico correto no corpo. Adicionalmente, se você fizer uma dieta que inclua o magnésio e a vitamina B6 em dosagem suficientes e restrinja o consumo de açúcares simples, não há o que temer quanto às pedras nos rins.

Muitos peritos tentam explicar como a carne supostamente acidifica o sangue, levando à maior perda de sais minerais na urina também é incorreta. Teoricamente, o enxofre e o fósforo presentes na carne quando misturados com água podem formar um ácido, mas não significa que isso aconteça no nosso corpo.

3) A perda de peso com dietas altas em proteínas é em sua maioria devida à perda de água:

Essa afirmação não faz sentido algum, principalmente se avaliarmos que os proponentes de dietas de poucos carboidratos como o doutor Robert Atkins, por exemplo, instruíam seus seguidores a beberem muita água enquanto praticavam a dieta.

4) A perda de peso ocorre nas dietas de muita proteína/gordura devido à pessoa comer menos:

O que ocorre aqui na verdade é que você pode não comer tantos carboidratos como comia antes de iniciar a dieta rica em proteína, mas uma vez que você está ingerindo mais gordura e que ela tem duas vezes mais calorias do que o carboidrato, a sua ingestão calórica real é provavelmente a mesma ou até mais alta do que era antes.

5) Dieta rica em proteína eleva o colesterol induzindo a aterosclerose e a doença cardíaca:

Algumas pessoas alegam que as proteínas de plantas, como as da soja, reduzem o colesterol LDL e aumentam o colesterol HDL (o bom colesterol). Isto evitaria o acúmulo de placa nas artérias, que é a condição básica da aterosclerose e das doenças cardíacas, assim reduzindo o risco de enfarte ou derrame.

Só que esta é mais uma fantasia nutricional que, embora popular, não é verdade. A teoria LDL/ HDL foi desmascarada por um grande número de pesquisadores proeminentes e o LDL apresenta muitas funções úteis no corpo, aliás não há nada de ruim nele.

Na verdade, o colesterol é usado pelo corpo como um antioxidante; as dietas vegetarianas não protegem contra a aterosclerose ou as doenças cardíacas; e as mulheres que seguem uma dieta vegetariana tem taxas mais altas de morte por doenças cardíacas do que as mulheres que comem carne.

6) As dietas de proteínas vegetais aumentam o cálcio no corpo:

Essa afirmação é sem sentido porque as “proteínas vegetais” não contêm as vitaminas solúveis em gordura A e D que são necessárias para assimilar o cálcio. Adicionalmente, numerosos compostos de plantas como os oxalatos e os fitatos inibem a absorção do cálcio.

A título de informação, os produtos de soja não fermentados são conhecidos pelo seu alto conteúdo de ácido fítico e os fitatos que bloqueiam a absorção de sais minerais.

Muitos peritos nos aconselham a substituir proteína animal pela proteína vegetal, e as gorduras saturadas pelas gorduras não saturadas, como os óleos de azeite de oliva e canola. Porém, do alto da minha experiência, eu posso dizer que este conselho é muito perigoso, uma vez que um grande número de estudos antigos e recentes mostram a toxicidade nos produtos de soja processada e no óleo de canola, que têm causado deficiência de vitamina E em animais de laboratório.

O óleo de canola é também muito suscetível ao ranço devido à sua alta quantidade de ácido linoleico. É no processo de desodorização desse óleo que se formam os ácidos graxos extremamente prejudiciais à saúde.

7) Dieta com pouca proteína protege do câncer:

Os estudos não têm comprovado as alegações de que os vegetarianos têm menores índices de câncer do que a população geral. Um grande estudo sobre os vegetarianos Adventistas do Sétimo Dia da Califórnia mostrou que, mesmo os Adventistas tendo índices levemente menores para alguns cânceres, os seus índices de melanoma maligno, doença de Hodgkin e câncer do útero, da próstata, do endométrio, do colo uterino, do ovário e do cérebro eram mais altos do que a população geral, alguns muito significantemente. No estudo, os autores escreveram que “o consumo de carne, entretanto, não foi associado com um risco maior para o câncer”.

Além disso, a pesquisa feita pelo Dr. Emmanuel Cheraskin em mais de 2.000 pessoas demonstrou que havia um número menor de problemas de saúde (medido pelo Índice Médico Cornell) nos indivíduos que tinham a maior quantidade de proteína em suas dietas.

Considerações

Os fatos mostram que as dietas ricas em proteínas, quando consumidas com água, gordura e vitaminas solúveis em gordura em quantidades suficiente, e fatores nutricionais como vegetais fibrosos e legumes sem amido, fazem muito bem para a nossa saúde.

A proteína animal, especialmente de animais não confinados e minimamente processada, como a carne de vaca e a de cordeiro, são alimentos saudáveis ricos em um número de nutrientes que protegem e incrementam vários sistemas corporais. Entre estas substâncias estão: a taurina; a carnitina; a creatinina; a glutationa; as vitaminas A, D, complexo B, incluindo B6 e B12; os sais minerais, tais como crômio, magnésio, enxofre, ferro, zinco e fósforo; proteínas completas, e a coenzima Q10, necessária para um coração saudável.

Por isso, pare de dar ouvidos a mitos sem sentido. Ocupe-se em cuidar da sua saúde. O ganho, com certeza, será muito maior!

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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)
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