Saúde

Gota: você sabe do que se trata?

Bom, certamente você já deve ter ouvido alguém falar que está sofrendo “da gota”, mas a menos que você saiba exatamente do que se trata, você já ouviu falar sobre isso?

A gota é uma doença complexa e que tem aumentado significativamente nos dias atuais. Durante séculos ela foi rotulada como sendo a Doença dos Reis, por se tratar de uma doença que afligia os ricos e aristocratas. A razão disso? Eles tinham acesso a uma alimentação diferenciada e também a bebidas alcoólicas.

A gota é um tipo de artrite que se manifesta através de dores, rigidez e inflamação nas articulações causadas pelo depósito excessivo de ácido úrico, o que cristaliza as articulações.

Na verdade, a gota ocorre quando os processos metabólicos oxidativos aumentam no organismo, com isso há uma produção de defesa de ácido úrico. Vale destacar que o ácido úrico é um antioxidante produzido pelo nosso corpo e que tem como objetivo neutralizar essa oxidação.

Basicamente o que acontece neste processo é uma reação semelhante ao que passamos quando temos febre, onde o objetivo é tentar neutralizar uma infecção; para isso é feito o uso de antitérmicos, enquanto na verdade, deveríamos aguardar um pouco mais, pois a febre é uma reação de neutralização e eliminação da infecção.

No caso do ácido úrico, quando ele está em ascensão significa que a oxidação está elevada e que precisa ser neutralizada. E para fazer isso, imediatamente nos recomendam usar anti-inflamatórios, Alopurinol ou Colchicina para tentar inibir a produção e formação por saturação de cristais. Sendo assim, volto a dizer mais uma vez que nesta situação o que devemos fazer é tratar as origens do problema e não as consequências.

Outra característica da gota é que ela é mais prevalente entre os homens. Mas, as mulheres quando entram na menopausa também possuem grande incidência de gota, pois neste período elas deixam de produzir o estrógeno que é responsável por auxiliar os rins a excretar o ácido úrico.

Sinais e sintomas

A manifestação da gota pode ser caracterizada por três tipos de sintomas: os agudos, os comuns e crônicos.

Os sintomas agudos têm em média de três a dez dias de duração. Eles são os mais comuns e ocorrem geralmente durante a noite atingindo o dedão do pé, podendo também ocorrer em qualquer articulação do nosso corpo. Também são sinais dos sintomas agudos a dor, a sensibilidade, vermelhidão e reação inflamatória.

Já os sintomas comuns, são sinais inflamatórios tais como a dor, vermelhidão, calor nas articulações e mais uma vez especialmente no dedão dos pés. Estes sintomas podem ser confundidos com infecção por conta do edema que pode apresentar, bem como pela nodulação e coloração que eles formam. Com a manifestação dos sintomas comuns, há uma perda considerável de flexibilidade e limitação dos movimentos nas áreas afetadas. É possível também que haja a ocorrência de febre.

Por último e não menos incômodo, estão os sintomas crônicos. Quanto mais recorrentes os ataques de gota, mais dolorosos e sérios eles se tornam, podendo promover lesões irreversíveis nas articulações.

Relação entre gota e ácido úrico

Fatores de risco

Hábitos de vida não saudáveis: o consumo excessivo de alimentos refinados e muitas frutas que promovem o aumento da frutose são alguns dos fatores que causam o aumento do ácido úrico no sangue, mais conhecido como hiperuricemia.

Normalmente, o ácido úrico se dissolve no sangue e é eliminado pelos rins sem problemas. Porém, quando há aumento de consumo de frutose ou xarope de milho em excesso, isso desencadeia um aumento exagerado de ácido úrico na circulação que acaba cristalizando nas articulações levando à dor extrema.

Aumento de processos inflamatórios: esta condição está ligada à Síndrome Metabólica (obesidade central, hipertensão) e distúrbio do metabolismo da glicose e insulina.

O excesso de peso predispõe o aparecimento de gota.

Todos esses fatores têm algo em comum: o estresse oxidativo que gera o desencadeamento do aumento do ácido úrico como enzima antioxidante para neutralizar esses processos, mas que acabam se cristalizando e gerando sintomatologia.

Tratamento

Entre os tratamentos disponíveis para a reparação da gota podemos destacar os seguintes:

As drogas convencionais: o Alopurinol, Colchicina e anti-inflamatórios, causam a redução da formação de cristais, reduzindo o ácido úrico ou bloqueando a sua resposta inflamatória natural e neutralizando a proteção antioxidante. Com isso, apresentam muitos efeitos colaterais pelo uso por longo tempo, que podem causar estragos no seu bem-estar.

Boswellia Seratta: fitoterápico, com potente ação anti-inflamatória e redutora da dor.

Gengibre: ativa o sistema imunológico e com isso melhora a ação anti-inflamatória e alivio da dor.

Ômega 3: por conter EPA E DHA possui potente ação inibidora de prostaglandinas responsáveis pela inflamação e dor.

Creme de capsaicina: alivia a dor, por depletar uma substância encontrada nas terminações nervosas, responsáveis por transmitir o sinal doloroso para o cérebro.

Bromelaína: substância encontrada no abacaxi e que tem importante propriedade anti-inflamatória.

Dieta: a alimentação refinada, altamente processada é a razão primaria para o aumento da gota. É preciso evitar alimentos ricos em purinas e pirimidinas, como vísceras animais, anchovas, cogumelos, aspargos e arengue, por exemplo.

Conforme o seu corpo degrada a purina desses alimentos, há a produção de ácido úrico que acaba elevando-se a nível sanguíneo promovendo as crises.

Xarope de milho rico em frutose: este é um grande causador do problema, mas que passa desapercebido pela maioria das pessoas, tanto é que se você retirar a alimentação rica em purinas e mantiver a alta concentração de xarope de milho rico em frutose, ou frutose, você vai continuar tendo o problema. O consumo de refrigerantes, bebidas esportivas, sucos de frutas e frutas como laranja e maçã aumentam esse risco. O ácido úrico é um subproduto do metabolismo da frutose.

A frutose tem sido correlacionada com inúmeros problemas de saúde como colesterol elevado, diabetes, Alzheimer e câncer. Além disso, a frutose se converte em gordura mais facilmente que os outros açúcares, se tornando um importante fator de risco de diabetes e obesidade.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que se consuma até 25 gramas de frutose por dia; no caso de indivíduos acima do peso, diabetes ou doença cardiovascular, o ideal é não exceder 15 mg/dia.

Os produtores de alimentos usam o xarope de milho rico em frutose, pois além de mais barato e fácil de se misturar, é muito útil como estabilizador dos alimentos. É por isso que a maioria dos produtos de supermercado e carnes processadas contêm altos níveis de frutose.

Evitar o álcool: deve se tomar cuidado, pois o consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar os níveis de insulina, que é um fator de risco para Diabetes. Limite o seu consumo, pois este pode comprometer o seu tratamento de gota. Além disso, a cerveja em especial pode induzir o aumento do ácido úrico.

Exercício: deve-se fazê-lo com extremo cuidado, pois pode haver exacerbação da dor a nível articular. Procure se exercitar somente quando não estiver em crise, pois o exercício é crucial para uma boa saúde, melhorando sua imunidade, prevenindo condições pré-diabéticas e acertando o peso, além de preservar uma boa densidade óssea e boa função articular.

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Referências Bibliográficas: 

  • Annals of the Rheumatic Diseases January 15, 2014
  • Family Practice News, February 1, 2002;32(3):1.
  • JAMA. 2010 Nov 24;304(20):2270-8.
  • The American Journal of Medical Sciences, April 1993;305(4):241-247.
  • Proc Natl Acad Sci, November 1990;87:8326-8330
  • British Medical Journal February 9 2008;336:285-286
  •  Arch Intern Med, 2009; 169(5): 502-7
  •  Ann Rheum Dis. 2010 Sep;69(9):1677-82.
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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)
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