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Será mesmo que o cloro traz segurança para a sua água?

O cloro, tal como conhecemos hoje em dia, já foi utilizado como um gás de mostarda (gás venenoso amarelado) na Primeira Guerra Mundial e também como uma arma química na Guerra do Iraque.  Ele é ainda o ingrediente mais importante na fabricação de água sanitária e desinfetante. Além disso, o cloro também é usado para fazer plásticos, inseticidas e solventes para limpeza a seco e desengordurantes de metais.

Então, é mais do que justo você acreditar em mim quando digo que qualquer coisa que tenha este curriculum vitae não pode fazer bem quando engolido, de jeito nenhum. Na verdade, vários estudos têm demonstrado que é possível acrescentar o termo carcinógeno a sua longa lista de realizações.

Mas, se tudo isto for mesmo verdade, só há uma coisa que quero saber:  Por que o governo está despejando isto na nossa água?

Cloro: Uma boa ideia que deu errado

É bem provável que você, se vivesse no século 19, fosse tão a favor sobre adicionar o cloro ao suprimento de água como todos estavam naquele momento.  As pessoas estavam tão assustadas que você poderia ter dito a elas que estava acrescentando o arsênico à água e elas teriam bebido de golão. Isto era assim porque todos viviam com medo de contrair uma doença proveniente da água, tais como febre tifoide, cólera ou disenteria.

E não era de se estranhar, pois pessoas que contraíam a cólera, por exemplo, sofriam vômitos e diarreia tão severos que elas podiam estar mortas em menos de vinte e quatro horas depois do contágio.

Mas, agir devido ao medo nunca fez bem a ninguém. Neste caso, os efeitos nocivos de uma vida inteira bebendo e banhando-se em água clorada são muito mais silenciosos, mas igualmente mortais, do que as doenças das quais ele deveria te salvar.

Foi comprovado que o cloro endurece as artérias, destrói proteínas no corpo, irrita a pele e os seios nasais, agrava a asma, as alergias e os problemas respiratórios.  O cloro também tem vários subprodutos, cada um dos quais com os seus efeitos colaterais. O clorofórmio, por exemplo, acelera o processo de envelhecimento, oxida o colesterol e causa câncer de fígado em animais de laboratório.

Na verdade, um estudo do Conselho de Qualidade Ambiental dos Estados Unidos afirma que “o risco de câncer entre as pessoas que bebem água clorada é 93% mais alto do que naquelas que bebem água que não contém cloro.”  Esta mensagem é clara ou não?

As consequências da exposição ao cloro

Mas afinal, o que é tão perigoso neste químico?  Toda essa periculosidade não está no cloro propriamente dito. Mas sim, na sua combinação com outras fontes, a maioria das quais são orgânicas (ou naturais), tomando uma forma completamente diferente, literalmente.

Uma das principais razões para o cloro ser tão útil a tantas aplicações diferentes é que ele se combina prontamente com outras substâncias.  O problema é que uma vez que se combina com outros compostos (mesmo os que são completamente seguros) o resultado final pode ser toxinas mortais como a dioxina, PCBs e carcinógenos como os THMs (trihalometanos) e os MXs (mutagênicos desconhecidos).

Goste ou não, se você estiver bebendo água da torneira, você pode ter certeza de que está tomando estes e outros carcinógenos de baciada.  Acontece que você não deve acreditar piamente só em mim.  Os estudos demonstram que os THMs e os MXs estão presentes na vasta maioria de todas as fontes de águas tratadas com cloro.  Isto acontece porque quando o cloro se combina com o húmus (o estágio final da decomposição de substâncias como as folhas e a vegetação) e com outras matérias orgânicas presentes na água, ele cria os THMs.

Pesquisas recentes têm demonstrado que os mutagênicos desconhecidos (MXs) são 170 vezes mais nocivos que os THMs.  Um estudo feito na Finlândia descobriu que os MXs causavam danos significantes à glândula tireoide e também levavam ao desenvolvimento de tumores cancerosos.  A parte mais assustadora sobre estas toxinas letais é que elas são formadas quando o cloro interage com os fitoquímicos encontrados nas plantas.

Eu realmente não gosto de dietas puramente vegetarianas e acredito que esteja sendo tolo se você achar que pode comer uma dieta verdadeiramente nutritiva e balanceada sem gordura e proteínas animais.  Mas eu nunca disse que as frutas e os vegetais são RUINS para você.  Na verdade, a maioria contém nutrientes que são muito BONS, entre eles as substâncias como a Coenzima Q10, a vitamina B2 e a vitamina E, só para mencionar algumas.  São substâncias exatamente como estas (que você as ingere na sua forma de alimento inteiro ou de um suplemento) que comprovadamente têm numerosas propriedades anticancerígenas que o cloro pode se ligar e transformar em MXs letais.

Mas depender de água engarrafada ou comprar um filtro para a sua torneira não é bom o suficiente, nem de longe.  Por mais prejudicial que seja o cloro quando você o absorve através do seu aparelho digestivo, ainda não é nada comparado com os níveis tóxicos que você absorve através da inalação.  Se você não é frequentador de piscinas interiores (cobertas), o lugar mais tóxico que você pode estar é dentro do seu chuveiro.  O vapor que é criado quando você toma banho está cheio de cloro que entra direto nos pulmões.

Infelizmente, as membranas mucosas dos seus brônquios, os tubos de respiração que conectam a sua laringe aos seus pulmões, são altamente absorventes para químicos como o cloro.  Respirá-lo fornece um portal mais direto para a substância entrar no seu fluxo sanguíneo, que então se espalha através do seu corpo inteiro.

O perigo a beira da piscina do qual nenhum colete de salva-vidas pode te salvar

Através dos anos, dezenas de leitores têm me perguntado se é seguro nadar em piscinas por causa do alto conteúdo de cloro.  A resposta é, sem dúvida, “não”.

Embora haja restrições nos níveis de THMs permitidos em água da torneira, não há limite na quantia permitida na água da piscina.  Isto é uma ameaça real para nadadores porque, novamente, você absorve mais através da sua pele e da inalação do que através do seu aparelho digestivo. Um estudo em particular demonstrou que a dose de clorofórmio, um THM específico, era 141 vezes mais alta do que aquele que você obteria de um banho de chuveiro de 10 minutos e 93% mais alto do que aquele que você obteria de um copo de água de torneira clorada.

Você não tem que ser um cientista de roscas (um trocador de lâmpadas altamente treinado) para perceber que os subprodutos do cloro não estão apenas DENTRO da piscina, mas em volta dela também. Vários estudos têm demonstrado que as pessoas que nadam ou trabalham perto de piscinas interiores têm uma incidência muito mais elevada de asma.  E os pesquisadores na Bélgica descobriram que esta exposição tóxica aumenta a permeabilidade do epitélio pulmonar, tornando mais fácil ainda a propagação da substância pelo seu corpo inteiro.

O doutor K. Thickett, um pesquisador na Unidade de Doenças Pulmonares Ocupacionais do Hospital de Birmingham Heartlands disse que “os nossos resultados mostraram que de fato o tricloreto de azoto (produzido pelo cloro) é a causa de asma ocupacional nos trabalhadores em piscinas interiores como salva-vidas e instrutores de natação”.

O tricloreto é um daqueles subprodutos dos quais falei que é formado quando o cloro se mistura com uma substância orgânica.  Na piscina, isso muito provavelmente seria a sua combinação com suor, caspa, urina ou outras substâncias corporais. Outros subprodutos também são formados como resultado, mas não acho que devemos mencioná-los todos individualmente.  O que importa é que eles estão presentes e são extremamente perigosos.

Cinco maneiras de se proteger desta toxina fatal

Então, o que você deve fazer frente a esta guerra implacável contra você e sua família? Só há uma resposta: elimine o cloro do seu meio ambiente.

Aqui está o que você vai precisar fazer:

  1. Compre um filtro de osmose reversa para o seu chuveiro. Este é um ótimo filtro, pois peneira os metais pesados e contaminantes e remove aditivos nocivos como o cloro e o flúor. O filtro deve ser instalado a partir do lugar aonde a água vem para dentro de casa para que cuide do fornecimento inteiro de água.
  2. Se você não quiser comprar um filtro para a sua água de beber, sugiro que você compre água engarrafada de companhias privadas.  Mas você tem que tomar alguns cuidados.  Muita água engarrafada é na verdade água da torneira.  Você tem que ver um relatório de um laboratório independente para verificar que esta água é verdadeiramente potável.
  3. Não ponha cloro na sua piscina.  Uma opção muito melhor é tratar a água com peróxido de hidrogênio, gás de ozónio ou luz ultravioleta.  Embora o custo inicial seja mais alto, você poupará dinheiro em longo prazo porque reduzirá os custos de operação e manutenção.  Entre em contato com o seu serviço de piscina para verificar se eles oferecem estas tecnologias ou se eles podem indicar uma companhia que faça isto.
  4. Se você quiser conversar com um perito nesta área, você poderia sempre consultar um engenheiro de água.  Ele pode te aconselhar sobre os filtros de osmose reversa, adição de peróxido de hidrogênio à água ou até o uso de água salgada como sistema de purificação para a sua piscina.

Quando se trata de remover estas toxinas do seu meio ambiente, ninguém faz isto de forma fácil ou barata.  Mas confie em mim:  vai valer a pena.

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Referências bibliográficas:

– New Scientist January 12, 2009

– International Journal of Cancer April 15, 2006; 118(8): 2040-2047

– Occupational and Environmental Medicine July 17, 2006

– Environmental Health Perspectives September 12, 2010

– Chlorine and Cancer”, Messina, Virginia, M.P.H., RD, Good Medicine,   Winter 1994; 8-9.

– Hints of a Chlorine-Cancer Connection”, Fackelmann, K.A., Science News, July 11, 1992; 142:23.

– Drinking Water Source and Chlorination Byproducts in Iowa. III. Risk of Brain Cancer,” Cantor KP, et al, Am J Epidemiol, 1999; 150(6):552-560. 

– Water Chlorination: Essential Process or Cancer Hazard? Bull, Richard, J., et al, Fundamental and Applied Toxicology, 1995; 28:155-166.

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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)

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