Dieta

Cirurgia gástrica apresenta tantos riscos quanto remédios emagrecedores

Redução de estômago pode trazer mais complicações que outros tipos de cirurgias

O reinado dos remédios para emagrecimento certamente está com os dias contados, pois a ANVISA, apesar da resistência médica das últimas semanas, deve adotar a mesma medida que vigora nos Estados Unidos e Europa, onde os medicamentos para emagrecer que atuam no sistema nervoso central, como a sibutramina e os derivados de anfetamina (Femproporex, Dietilpropiona e Manzidol) estão proibidos. Mesmo que a proibição dos remédios para emagrecer ainda não esteja concretizada, o próximo falso amigo do emagrecimento saudável já pode ser nomeado: a cirurgia gástrica. Nos Estados Unidos, já houve uma ampliação do acesso à cirurgia para emagrecer, aonde o FDA aprovou a redução do peso mínimo para candidatos à banda gástrica.

Caso essas regras passem a valer para o Brasil, isso significa que mais de 12 milhões de obesos (com IMC entre 30 e 35 e doenças ligadas ao peso) poderiam ser candidatos à cirurgia, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.

Cirurgia de redução do estômago que inclui banda gástrica além de bypass gástrico, que mais invasivo, pode parecer como uma solução rápida para perda de peso, mas não é uma solução tão segura quanto os remédios, mesmo que eles possam causar uma série de efeitos colaterais, como aumento da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos, constipação e diarréia. Isso porque há diversos efeitos colaterais negativos de longa duração em relação à saúde em consequência dessa opção cirúrgica.

Mesmo quando a cirurgia tem sucesso, é importante lembrar que a sua alimentação nunca mais será a mesma, já que uma menor quantidade de alimentos já causará saciedade.

Como são feitas as cirurgias

Cirurgia da banda gástrica consiste na inserção cirúrgica de uma banda (balão) em torno do topo da secção de seu estômago, e as complicações deste procedimento incluem:

– refluxo gastroesofágico em 34%

– soltura da banda ou dilatação da banda em 24% (o que significa que você precisará de nova cirurgia).

– obstrução estomacal 14%

– dilatação de esôfago e redução da função esofagiana 11%.

– dificuldade de deglutição 9% As complicações são tão frequentes, que os pacientes que fizeram a cirurgia sem saber dos seus efeitos colaterais optam por retirá-la completamente. Sendo que, segundo estudo, 25% dos pacientes que colocaram a banda permanente a removeram e 2/3 deles por efeitos colaterais que tiveram. Apesar da cirurgia de banda gástrica ser removível, o bypass gástrico não é. Neste caso, a parte do seu intestino delgado é normalmente removida inteiramente, e o seu estômago é reconectado mais abaixo no seu intestino. Com isso se perde a área de maior absorção do seu intestino, responsável pela captação dos nutrientes. É por isso que as pessoas que passam por a cirurgia de bypass frequentemente tem má absorção de nutrientes.Com isso, fica claro que esta não é uma boa alternativa para tratar a obesidade, como muitos estão acreditando.   Mesmo quando se tem êxito nos procedimentos, é bom saber que nunca mais poderá ter os mesmos hábitos alimentares, pois o pouco que se come já lhe trará saciedade.O modo de se alimentar também passa a não ser natural, sempre havendo a sensação de “estar cheio” e com isso não se consegue absorver alimentos na quantidade ideal.Começa a ocorrer náuseas e vômitos caso tente abusar e como a alimentação é pouca, ocorre frequentemente constipação intestinal. Diversos alimentos passam a ser evitados pela dificuldade, como carne vermelha, membrana das frutas como laranja, vegetais fibrosos e comidas apimentadas. Com isso a conseqüência é ficar fisicamente doente. Na verdade perder peso mesmo cirurgicamente depende de você modificar os seus hábitos, com bastante ênfase no aspecto emocional da sua alimentação. Queda de cabelo e perda muscular é frequente após a cirurgia. Sinais que representam que o corpo não está recebendo a nutrição necessária.

Complicações Mais de 40% das cirurgias para perda de peso apresentam complicações significativas durante os primeiros seis meses, incluindo desnutrição, infecção, cálculos renais, problemas de intestino e vesícula, falência renal e pior, aumento do risco de morte. Ou seja, cerca de 50% dos indivíduos submetidos à cirurgia tem problemas importantes. Na verdade, apesar de toda cirurgia apresentar riscos inerentes, a cirurgia bariátrica tem uma incidência muito maior de complicações, ou seja, o paciente tem mais risco de sofrer algum efeito adverso do que não sofrer nada. De acordo com um estudo americano, que durou três anos, 88% dos pacientes que realizaram o procedimento da banda gástrica, tiveram um ou mais efeitos adversos, entre complicações leves e severas.

Como perder peso sem cirurgia ou remédios Com certeza se você modificar seu estilo de vida vai conseguir ter uma perda de peso segura e efetiva através de uma dieta saudável e exercício físico, o que é muito mais fácil e eficiente do que a rotina de quem faz o procedimento cirúrgico. Uma mudança de estilo de vida vai ajudá-lo a chegar ao peso ideal, e requer três pontos básicos.

1) tenha uma dieta saudável de acordo com o seu tipo metabólico, fazendo atenção de manter o seu nível de insulina baixo, primariamente evitando frutose o mais que puder. Se você come de acordo com o seu tipo metabólico, alimentando se com o que é correto para a sua bioquímica, esses alimentos vão forçar o seu corpo para o peso ideal.

2) Ver o exercício como um remédio. É importante realizá-lo diariamente, e sem isso não se consegue aperfeiçoar sua saúde e seu peso.

3) controle o estresse através de técnicas de relaxamento. Esse programa é fácil de fazer não invasivo, sem risco cirúrgico e funciona!

O que acontece na verdade é que ambos opções perdem feio para uma reeducação alimentar bem feita aliada com a prática de exercícios físicos. Somente em casos extremos eles podem

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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)

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