Alimentação

Alergia Alimentar: um problema comum, mas raramente diagnosticado!

De acordo com o Food and Drug Admistration (FDA), órgão governamental norte-americano, já passamos dos 3 mil tipos de produtos químicos tais como conservantes, preservativos e edulcorantes passivos de serem encontrados em nossa alimentação. E paralelo ao aumento destes produtos ocorre também o crescimento no número de casos de alergia alimentar, embora este problema ainda seja mal diagnosticado.

É muito comum entendermos a alergia como sendo uma reação individual sintomática relativa a fatores do ambiente cuja concentração, ou quantidade, a maioria das pessoas consegue facilmente tolerar. Contudo, é preciso ser comprovado cientificamente a presença de um reagente que, na terminologia médica, é um anticorpo chamado de imunoglobulina E (IgE).

Este anticorpo por sua vez se manifesta especialmente nas alergias por pólen, poeira e pelos de animais, porém, aparece em número limitado na alergia alimentar. A resposta do IgE é o que o alergista esta procurando quando realiza testes em nossa pele ou quando solicita o Radioalergosorbent Test (RAST IgE) no sangue.

Entretanto, a maioria das alergias alimentares tem um tempo para manifestação bastante variável, podendo acontecer dentro de 1 hora ou em até 30 dias depois da ingestão de determinado alimento. Infelizmente, o leque de reações, tanto emocional quanto física, aos alergênicos não é facilmente descoberto quando medido pelo IgE. Como conseqüência disso, muito se rotulou, principalmente as mulheres, como neuróticas, hipocondríacas ou inseguras quando apresentavam queixas físicas e ou emocionais inespecíficas.

Como as reações alérgicas que não eram mediadas pela IgE não apresentavam reação na pele precocemente, muitos pacientes ficavam praticamente sem diagnóstico de certeza.

Atualmente, este fato está sendo contornados com o avanço da medicina nutricional embasada em trabalhos científicos conduzidos e publicados nos principais meios médicos da medicina moderna.

Apesar disso, muitos médicos ainda pensam somente em uma resposta mediada pela IgE, ou resposta imediata, com isso diagnosticando menos de 10% dos casos de alergia alimentar.

Os doutores Theron Randolph e Herbert Rinkel são considerados os pais da “alergia moderna” a que recebe nome de Ecologia Clínica, que tem como conceito o fato de que as respostas orgânicas corpóreas, tanto imunológicas ou não, são consequências de substâncias do meio ambiente.

 

Por que temos alergias?

O aparecimento destas alergias está vinculado à mudança de hábito alimentar do fim de século. É um tema que começou a se tornar importante nos últimos anos pelo fato de utilizarmos uma alimentação muito industrializada, refinada e com excessiva concentração de conservantes e preservativos, como dissemos anteriormente. Isto se associa a mais de 10 mil tipos de químicos contaminantes presentes na água, ar e alimentos.

Há, pois, uma dificuldade do nosso organismo em lidar com esses xenobióticos, que o enfraquecem criando a intolerância alimentar e, posteriormente, a alergia. Adicione a essa condição o fato de que nosso padrão alimentar não contém mais a quantidade necessária de nutrientes para manter o nível de saúde.

Outro fator causador do desenvolvimento de alergias e o fato de comermos mais do que precisamos, com isso causando sobrecarga em nosso sistema digestivo e imunológico. Para termos uma ideia, consumimos em média de 500 a 1000 calorias a mais do que seria necessário para uma boa saúde.

Temos ainda que levar em consideração o fato de que, com muita frequência, estamos comendo alimentos com uma variedade bastante limitada. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos apontou que cerca de 80% das calorias obtidas provém de apenas 11 tipos de alimentos.

Isso significa que estamos constantemente bombardeando o nosso corpo com o mesmo alimento, que contém os mesmos nutrientes, criando uma sensibilidade e permitindo o surgimento de alergia, com as manifestações diversas.

 

Alergia Alimentar: definição e sintomas.

Alergia alimentar é por definição uma irritação ou inflamação dos tecidos causados pelo alergênico de um elemento. Onde esse alergênico vai intervir é algo pré-determinado geneticamente, pois todos nós temos pontos fortes e fracos em nosso sistema fisiológico e bioquímico. Cada pessoa reage de forma diferente até diante do mesmo alergênico.

Por exemplo: se analisarmos 10 pessoas alérgicas ao leite, podemos ter 10 diferentes reações individuais. Em um, o leite pode causar diarreia, em outro, cefaleia e em outro, dores articulares e assim por diante.

É importante entender que estas reações aparecem depois de longo tempo, tendo como período intermediário o que chamamos intolerância alimentar. Nos períodos inicias são reações leves e não mostram correlação direta a determinado alimento que certamente é o agente causador. Pode demorar meses e até anos para esta reação se transformar em franca alergia alimentar a determinado produto.

A tabela abaixo relaciona os sintomas que são frequentemente indicadores de alergia alimentar, porém, só cobrem parte do que pode ser associado ao problema ou a seu agente causador. A alergia alimentar apresenta grande possibilidade de mascarar os sintomas porque, na realidade, estamos ainda no início dos estudos que nos levam ao reconhecimento destas manifestações.

Os alergênicos alimentares se depositam nos tecidos causando inflamação e assim o sistema imune libera grande quantidade de mediadores químicos que causam uma exacerbação da resposta dolorosa bradiquinina, provavelmente o mais doloroso mediador produzido pelo nosso organismo, e Prostaglandinas 2 e F2 alfa. Ambas causam aumento da sensibilidade à dor.

 

Testes para Alergia Alimentar

Os testes convencionais utilizados para diagnosticar os mediadores alergênicos (IgE) feitos na pele, além de normalmente caros e dolorosos não funcionam para a maioria das alergias alimentares.

Os testes para mediadores não IgE para alergia alimentar medem a lesão causada aos glóbulos brancos quando entram em contato com cada alimento potencialmente alergênico. Como a alergia alimentar pode causar dano ou mesmo destruir as células sanguíneas, o teste mostra qual alimento o paciente deve evitar no futuro. Apesar da possibilidade de falso positivo e pobre reprodutibilidade, ainda é melhor que o teste de pele para IgE ou RAST para IgE.

Atualmente dispomos do teste Food Immune Complex Assay, ou “FICA”, que é capaz de medir a presença de anticorpos no sangue, específicos para alimentos e imunocomplexo para alergênicos alimentares em cada alimento testado.

Outro teste que vem apresentando bons resultados e não é doloroso é o Teste Dermoelétrico. Através de diferenças de potenciais eletromagnéticos ele consegue determinar os alergênicos por meio de um sistema computadorizado, com resultado imediato.

 

Tabela 1 – Sintomas Comuns Associados às Alergias Alimentares

Sintomas Físicos

Cabeça Olheiras escuras, inchaço e rugas sob os olhos (sinal de Dennie), dores de cabeça localizadas e outras dores de cabeça “vasculares”, enxaquecas, fraquezas, tonturas, sensações de estufamento na cabeça, sono excessivo logo após alimentar-se, insônia, acordar frequente durante a noite, de madrugada (geralmente entre duas e quatro da manhã), incapacidade de voltar a dormir. Olhos, ouvidos, nariz e garganta com coriza, nariz entupido, formação excessiva de mucos, lacrimejamento, visão turva, estalos, barulhos nos ouvidos, dor de ouvido, sensação de estufamento nos ouvidos, perda de audição, infecções de ouvidos recorrentes, pruridos no ouvido, corrimento do ouvido, dores de garganta, rouquidões, tosse crônica, engasgamento, pruridos no céu da boca, sinusites recorrentes, necessidade de higiene nasal frequente.
Coração e pulmões Palpitações, arritmias, taquicardia, asma, congestão no peito e asma induzida por exercícios.
Gastrointestinal Mucos nas fezes, comida não digerida nas fezes, náusea, vômitos, diarreia, constipação, distensão abdominal, eructação, colites, flatulência, dores ou cólicas abdominais, síndrome de intestino irritado, cólicas em crianças, sede extrema, doença inflamatória do intestino (doença de Crohn e colites ulcerativa), pruridos anais, língua com crosta esbranquiçada, sintomas aparentes de doença de vesícula (os quais podem vir a ser de natureza alérgica).
Pele Erupções, assaduras, eczema, dermatites herpertiformes, palidez, pele seca, caspa, unhas e cabelos quebradiços.
Outros sintomas “Dores de crescimento” em crianças, sintomas de TPM, fadiga crônica, fraqueza, dores musculares, dores articulares, artrites, inchaço das mãos, pés ou tornozelos, sintomas do sistema urinário (frequência, urgência), pruridos vaginais, corrimento vaginal, obesidade, variação rápida de peso de 1 dia para outro (1 a 5 kg ou mais).
Sintomas Psicológicos Ansiedade, surtos de pânico, depressão, crise de choro, comportamento agressivo, irritabilidade, confusão mental, letargia mental, hiperatividade em crianças e adultos, agitação, desabilidades de aprendizagem, hábitos de trabalho que deixam a desejar, falar arrastado, gaguejamento, dificuldade de concentração, indiferença, provavelmente, certos tipos de autismo e esquizofrenia e bulimia/anorexia nervosa.

 

Referências bibliográficas:

– Food Allergy and Food Intolerance – What is the Difference”, Bindslev-Jensen, Carsten, M.D., Ph.D., et al, Annals of Allergy, April 1994;72:317-320.

– Food Allergy: Diagnosis and Strategies For Prevention”, Chandra, Ranjit Kumar, M.D., Nutrition and The M.D., April 1991;17(4):1-3.

– Food Allergy in Infants and Children: Clinical Evaluation and Management”, Levy, Yael, et al, Israel Journal of Medical Sciences, December 1994;30(12):873-879.

– Food Allergy”, Chandra, Ranjit K., M.D., Ph.D., Canadian Medical Association Journal, February 1, 1992;146(3):367

 

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Médico, Cirurgião Vascular especializado em medicina preventiva e alta performance. Possui vários artigos publicados em revistas médicas, além de 8 livros com temas relacionados à nutrição, medicina preventiva e esportiva. (CRM 47078)

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